Segundo Phelps (na foto), que é professor na Universidade de Columbia e foi galardoado com o Nobel da Economia em 2006, o presidente norte-americano deveria ter proposto um pacote de estímulo “mais coerente” para lutar contra a recessão no país. Já George Soros advoga que o plano da Administração Obama de comprar activos tóxicos da banca norte-americana não será suficiente para que as instituições financeiras comecem de novo a flexibilizar a concessão de crédito.
“Não será essa medida que vai inverter a situação e permitir que os bancos comecem de novo a emprestar dinheiro”, comentou Soros em Davos, numa entrevista à Bloomberg TV. “Isso será nacionalizar a dívida e manter os lucros nas mãos privadas”.
Edmund Phelps não se mostra mais confiante do que Soros, apontando a falta de uma maior coerência no plano de relançamento proposto pela Administração dos EUA. Muitos dos novos programas de injecção de capital estão a ser criticados pelo facto de só arrancarem em larga escala daqui a um ano ou dois, referiu o economista, também em entrevista à Bloomberg TV.
Phelps, que também está em Davos, considera que seria muito melhor dispor de um programa mais específico e mais coerente.
Recorde-se que a Câmara dos Representantes vai pronunciar-se hoje sobre o pacote de estímulo financeiro proposto por Obama, no valor de 816 mil milhões de dólares e escalonado para dois anos, e que se destina a fazer sair a economia norte-americana da recessão.
Phelps afirmou que as propostas feitas pelos responsáveis governamentais dos EUA e pelos órgãos reguladores da banca no sentido de se criar o chamado “banco de crédito malparado”, com o objectivo de comprar activos tóxicos da banca, fazem “muito mais sentido” do que o Troubled Asset Relief Program (TARP), posto em marcha ainda sob a Administração de George W. Bush, que foi uma “tarefa descomunal”.
“Comprar esses activos, colocá-los numa plataforma e depois vendê-los no mercado ao preço que o mercado quiser pagar por eles faz muito mais sentido”, acrescentou. “O problema com o TARP é que a legislação em torno desse programa visava que o governo definisse à partida o valor de cada activo dos bancos, o que se tratava de uma incumbência desmedida”, salientou.
Por seu lado, Joseph Stiglitz, que recebeu o Nobel da Economia em 2001, referiu que o plano de estímulo financeiro deveria incluir reduções de impostos mais focalizadas no investimento do que no consumo.
“Precisamos de mais investimento. E podemos ir buscar grande parte desse investimento ao segmento das reduções de impostos para os consumidores”, afirmou em entrevista à Bloomberg TV.
Com efeito, uma das críticas que têm sido feitas a este plano é que as reduções de impostos que beneficiarão os consumidores poderão levá-los a poupar esse dinheiro, em vez de o investirem, dada a crise económica que se vive.
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