Juízo Final Blog

Phelps, Soros e Stiglitz pouco confiantes no Plano de Obama

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 31/01/2009

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O célebre investidor George Soros, bem como Edmund Phelps e Joseph Stiglitz, laureados com o Nobel da Economia, não depositam grandes esperanças no plano de Barack Obama de combate à recessão nos Estados Unidos.

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Segundo Phelps (na foto), que é professor na Universidade de Columbia e foi galardoado com o Nobel da Economia em 2006, o presidente norte-americano deveria ter proposto um pacote de estímulo “mais coerente” para lutar contra a recessão no país. Já George Soros advoga que o plano da Administração Obama de comprar activos tóxicos da banca norte-americana não será suficiente para que as instituições financeiras comecem de novo a flexibilizar a concessão de crédito.

“Não será essa medida que vai inverter a situação e permitir que os bancos comecem de novo a emprestar dinheiro”, comentou Soros em Davos, numa entrevista à Bloomberg TV. “Isso será nacionalizar a dívida e manter os lucros nas mãos privadas”.

Edmund Phelps não se mostra mais confiante do que Soros, apontando a falta de uma maior coerência no plano de relançamento proposto pela Administração dos EUA. Muitos dos novos programas de injecção de capital estão a ser criticados pelo facto de só arrancarem em larga escala daqui a um ano ou dois, referiu o economista, também em entrevista à Bloomberg TV.

Phelps, que também está em Davos, considera que seria muito melhor dispor de um programa mais específico e mais coerente.

Recorde-se que a Câmara dos Representantes vai pronunciar-se hoje sobre o pacote de estímulo financeiro proposto por Obama, no valor de 816 mil milhões de dólares e escalonado para dois anos, e que se destina a fazer sair a economia norte-americana da recessão.

Phelps afirmou que as propostas feitas pelos responsáveis governamentais dos EUA e pelos órgãos reguladores da banca no sentido de se criar o chamado “banco de crédito malparado”, com o objectivo de comprar activos tóxicos da banca, fazem “muito mais sentido” do que o Troubled Asset Relief Program (TARP), posto em marcha ainda sob a Administração de George W. Bush, que foi uma “tarefa descomunal”.

“Comprar esses activos, colocá-los numa plataforma e depois vendê-los no mercado ao preço que o mercado quiser pagar por eles faz muito mais sentido”, acrescentou. “O problema com o TARP é que a legislação em torno desse programa visava que o governo definisse à partida o valor de cada activo dos bancos, o que se tratava de uma incumbência desmedida”, salientou.

Por seu lado, Joseph Stiglitz, que recebeu o Nobel da Economia em 2001, referiu que o plano de estímulo financeiro deveria incluir reduções de impostos mais focalizadas no investimento do que no consumo.

“Precisamos de mais investimento. E podemos ir buscar grande parte desse investimento ao segmento das reduções de impostos para os consumidores”, afirmou em entrevista à Bloomberg TV.

Com efeito, uma das críticas que têm sido feitas a este plano é que as reduções de impostos que beneficiarão os consumidores poderão levá-los a poupar esse dinheiro, em vez de o investirem, dada a crise económica que se vive.

Líderes Europeus propõem conselho econômico das Nações Unidas buscando uma nova ordem mundial

Posted in Crise, Nova Ordem Mundial by Blog Juízo Final on 31/01/2009

SWITZERLAND WORLD ECONOMIC FORUM

Angela Merkel propõe conselho econômico das Nações Unidas A chanceler alemã Angela Merkel propôs hoje em Davos, Suíça, a constituição de um conselho econômico das Nações Unidas à imagem do conselho de segurança, no quadro de uma carta sobre uma nova ordem mundial.

Os especialistas reunidos no Fórum Econômico Mundial desta cidade suíça, tradicionalmente defensores do neoliberalismo, consideram que agora é necessária a intervenção do Estado para estabilizar o sistema financeiro e as economias.

A maior parte dos líderes econômicos e políticos tem coincidido em sublinhar que apenas a intervenção estatal, especialmente nas economias avançadas, permitirá evitar o colapso do sistema financeiro e econômico e contribuirá para restaurar a confiança.

Os erros foram atribuídos a gestão de risco, de supervisão e de governo corporativo. Ao mesmo tempo advogam uma coordenação política global para se estabelecerem estímulos fiscais para que tenham efeito, segundo os especialistas. Nesse sentido, o economista chefe do Banco Mundial, Justin Yifu Lin, disse que “o estímulo fiscal não funcionará se apenas um único país o adoptar.

Devemos ter uma aproximação coordenada, implementada pelas economias industrializadas e as emergentes”. Por exemplo, o governo da chanceler alemã, Angela Merkel, aprovou na terça-feira o maior pacote de estímulo da economia desde a Segunda Guerra Mundial, no montante de 50 mil milhões de euros (65 milhões de dólares) e que criará o maior défice desde o pos-guerra.

O investidor norte-americano de origem húngara George Soros também se mostrou partidário da intervenção estatal como “medida de emergência e temporária”. Soros considera que a magnitude da crise financeira global é maior que a dos anos 1930 e que é necessário que o Estado intervenha para salvar os bancos porque o sector privado não pode fazê-lo.

Brown quer criar um sistema de supervisão financeira mundial

aleqm5gmlsahpob60uqzldfhbvcalm-bxgO primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu nesta sexta-feira, em Davos, a criação de um sistema de supervisão financeira mundial, visando a reunião do G20 sobre a crise econômica que será realizada em 2 de abril, em Londres.

“Temos um sistema financeiro internacional, mas não um de coordenação ou de supervisão mundial, apenas supervisores nacionais”, declarou Brown em coletiva conjunta com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante o Fórum Econômico Mundial.

Brown também afirmou que uma das prioridades seria a criação de um sistema de alerta rápido em todos os continentes e substituir a “atual regulação harmoniosa”.

Fonte: Diário Digital

Economia dos EUA registra contração de 3,8% no 4º trimestre, é a pior queda desde 1982

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 30/01/2009

dolar_morto_60pcA economia dos Estados Unidos sofreu uma queda acentuada no quarto trimestre do ano passado, com uma contração de 3,8%, ante recuo de 0,5%no terceiro. Trata-se do pior desempenho trimestral desde o primeiro trimestre de 1982 (ano em que o país também passava por uma grave recessão), que chegou a 6,4%.

Com dois trimestres consecutivos de queda no PIB (Produto Interno Bruto), o país agora se enquadra no critério de recessão mais aceito entre os economistas. O resultado, apesar de negativo, foi menos catastrófico que o previsto pelos economistas, que previam uma queda de 5,4%.

No ano passado como um todo, o crescimento foi de 1,3%, abaixo dos 2% de 2007 e o menor resultado anual desde 2001 –período em que o país foi atingido por outra recessão.

No mês passado, o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês) havia informado que o país já está em recessão desde dezembro de 2007 –o Nber é um dos principais institutos de economia dos EUA e responsável por avaliar quando o país está oficialmente em recessão ou não e quando esta acabou.

O instituto define recessão como um significativo declínio na atividade econômica difundido pela economia como um todo e que costuma durar mais que alguns poucos meses: ela começa quando a economia atinge um pico do ciclo econômico e termina quando atinge o ponto mais baixo. Entre esse ponto e o pico, a economia registra expansão.

“O comitê determinou que um pico na economia dos EUA ocorreu em dezembro de 2007. O pico marcou o fim do ciclo de expansão começado em novembro de 2001 e o início da recessão.”

A economia americana apresenta dia a dia sinais de que a atividade no país vem caindo em ritmo acelerado. A taxa de desemprego no país em dezembro atingiu 7,2%, a maior desde 1993. Vendas no varejo, produção industrial e confiança do consumidor, todos atingiram patamares baixos, em alguns casos, uma baixa recorde.

O “Livro Bege”, documento com dados econômicos coletados nas 12 divisões regionais do Federal Reserve (Fed, o BC americano), divulgado no último dia 14, mostrou essa deterioração e não aponta perspectivas de melhora para este início de ano. “A atividade econômica continuou a enfraquecer em quase todos os distritos do Fed”, diz o documento.

Pacotes

Foi com o objetivo de tirar a economia americana do estado de semiparalisia em que se encontra que o governo já preparou ajudas que, somadas, passam em muito de US$ 1 trilhão. Em outubro do ano passado o Congresso aprovou um pacote de US$ 700 bilhões, proposto pelo então secretário do Tesouro, Henry Paulson, para salvar bancos com problemas devido à posse de papéis lastreados em hipotecas “subprime” (de maior risco).

Na última quarta-feira (28), a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) aprovou o pacote proposto pelo presidente americano, Barack Obama, para tentar tirar o país da recessão em que se encontra desde 2007. O pacote aprovado ficou em US$ 819 bilhões, pouco abaixo dos US$ 825 bilhões proposto inicialmente.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou a Câmara pela aprovação do pacote e afirmou estar confiante que o Senado adotará a mesma postura. Obama ressaltou que o mais importante é que “esse plano de recuperação vai salvar ou criar mais de três milhões de empregos nos próximos anos”.

Fonte: Folha Online

Cronograma de medidas já anunciadas no Brasil para combater os efeitos da crise

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 29/01/2009

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Desde o anúncio da concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, no dia 15 de setembro, e o conseqüente agravamento da crise financeira, o Banco Central brasileiro já anunciou uma série de medidas para conter os possíveis efeitos da turbulência por aqui. Com elas, a autoridade monetária pretende combater, por exemplo, a escassez de recursos internacionais provocada pelo congelamento do crédito e a alta exagerada do dólar em decorrência da grande procura dos investidores pela moeda – considerada um ativo seguro em meio à crise.

Veja as principais medidas:

19 de setembro

Quatro dias após a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, o crédito internacional seca e o dólar dispara no Brasil. O Banco Central anuncia um leilão de US$ 500 milhões com compromisso de recompra da moeda após 30 dias. Nessa operação o BC “empresta” os dólares às instituições financeiras durante esse período. Os recursos servem para que os bancos possam financiar as exportações brasileiras.

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24 de setembro

A crise internacional de confiança nos bancos e a falta de crédito externo afetam os bancos pequenos e médios no Brasil. O BC anuncia então mudanças no recolhimento de depósitos compulsórios, que beneficia bancos menores e instituições que trabalham com leasing. Com isso, o BC garante a injeção de R$ 13 bilhões no mercado.

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1º de outubro

O Banco do Brasil antecipa R$ 5 bilhões em crédito para o setor agrícola para suprir a falta de recursos causada pela crise financeira.

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2 de outubro

O BC anuncia a redução do compulsório para os bancos grandes que comprarem parte das carteiras de crédito dos bancos pequenos. A avaliação do governo é que os grandes bancos estão preferindo segurar os recursos a emprestar para essas instituições. A estimativa do BC é que a mudança injete R$ 23,5 bilhões na economia, além de ajudar as instituições menores.

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6 de outubro

Governo anuncia a criação de uma linha internacional de crédito para ajudar os exportadores, com o dinheiro das reservas internacionais do BC. O governo também reforça a linha de financiamento para exportações pré-embarque do BNDES, com mais R$ 5 bilhões.

No final do dia, o presidente Lula edita uma medida provisória que dá mais poderes ao BC para atuar durante a crise. Entre elas, está a autorização para o BC comprar carteiras de crédito de bancos em dificuldades no Brasil.

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8 de outubro

O dólar chega a R$ 2,48 pela manhã e obriga o BC a queimar parte das reservas internacionais para acalmar o mercado. Pela primeira vez, desde o dia 13 de fevereiro de 2003, o BC realiza um leilão em que vende parte dos US$ 208 bilhões que tem em caixa.

Nos leilões anteriores, o BC vendia a moeda com um compromisso de recompra. Na prática, isso funcionava como um empréstimo e não afetava as reservas. Foram realizados três leilões. Os valores não foram divulgados.

No fim do dia, o BC anuncia mais duas mudanças nas regras do recolhimento sobre depósitos compulsórios e coloca mais R$ 23,2 bilhões na economia.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convoca uma reunião do G20 financeiro, presidido atualmente pelo Brasil,na sede do FMI (Fundo Monetário Internacional), nos Estados Unidos.

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9 de outubro

CMN (Conselho Monetário Nacional) regulamenta as regras para que o BC possa socorrer os bancos que precisem de crédito em dólares ou reais. A regulamentação dá ao BC poderes para interferir na administração dos bancos que venderem suas carteiras de crédito à instituição em busca de recursos.

No fim do dia, o presidente Lula se reúne com o ministro da Fazenda e o presidente do BC, que embarcam para os EUA com a missão de defender uma regulamentação mais rígida dos mercados financeiros no encontro do FMI.

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13 de outubro

O BC informa mais mudanças no compulsório, que significam a liberação na economia de R$ 47,1 bilhões dos R$ 100 bilhões que foram prometidos pela manhã.

No compulsório sobre exigibilidade adicional (que inclui depósitos a vista, prazo e poupança), o limite de dedução aumentou de R$ 300 milhões para R$ 1 bilhão. O limite de dedução do compulsório sobre depósitos a prazo passou de R$ 700 milhões para R$ 2 bilhões, com impacto de R$ 13,1 bilhões a partir de 17 de outubro.

Os bancos também terão direito a fazer um abatimento em relação ao compulsório recolhido sobre operações de leasing. Em relação ao desconto no compulsório sobre depósitos a prazo para quem comprar carteiras de crédito de outros bancos, muda o patrimônio de referência do banco vendedor, que sobe de R$ 2,5 bilhões para R$ 7 bilhões. O percentual de desconto para quem comprou sobe de 40% para 70%.

Segundo o BC, além de vender a carteira de crédito, os bancos menores poderão vender também outros ativos, principalmente aqueles ligados a fundos de investimentos desses bancos.

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16 de outubro

O Banco Central anunciou mais uma mudança nas regras dos depósitos compulsórios. Agora, o BC ampliou as possibilidades para que esses bancos possam elevar o dinheiro que têm em caixa com a venda de ativos para bancos maiores.

Além de vender a sua carteira de crédito e títulos dos seus fundos de investimentos, os bancos menores poderão vender outros ativos: 1) títulos e valores mobiliários de renda fixa, adiantamentos e outros créditos de pessoas físicas e jurídicas não-financeiras; 2) depósito interfinanceiro com garantia de ativos elencados no item 1 ou de operações de crédito.

Além disso, o CMN autorizou o Banco Central a determinar que, nas operações de empréstimos em moeda estrangeira, os recursos sejam direcionados para operações de comércio exterior. O BC também fica autorizado a receber debêntures emitidas por empresas não financeiras nas operações de redesconto.

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22 de outubro

O presidente Lula assinou MP (medida provisória) que autoriza os bancos públicos brasileiros, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, a adquirirem participações em instituições financeiras no pais sem passar por um processo de licitação. A MP é ampla (leia íntegra), composta de sete artigos, e inclui todo tipo de instituição financeira: seguradoras, instituições previdenciárias, empresas de capitalização, etc.

À noite, Lula assinou outro decreto que zera a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para a aplicação no mercado de capitais e operação de empréstimos e financiamentos externos. Com a decisão, o capital que entra no país tem maior rentabilidade, ou seja, trazer dólares para o Brasil fica mais atraente ao investidor.

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27 de outubro

O Banco Central anuncia mais uma mudança nas regras dos depósitos compulsórios recolhidos pelos bancos brasileiros. A medida pode injetar mais R$ 6 bilhões na economia.

Com a mudança, os bancos que anteciparem suas contribuições ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) no valor de 60 meses terão um desconto no recolhimento do compulsório sobre depósitos à vista. O valor mensal do desconto será o equivalente à contribuição de um mês ao FGC. Os bancos usarão como base o valor recolhido em 1º de outubro, referente ao mês de agosto deste ano.

Hoje, os bancos são obrigados a recolher 42% dos depósitos à vista (dinheiro da conta corrente) feitos pelos seus clientes e depositar o dinheiro em espécie no BC. Esse dinheiro fica parado, sem remuneração, e equivale hoje a cerca de 20% de todo o compulsório recolhido pelo BC.

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29 de outubro

O Banco Central do Brasil e o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) anunciaram o estabelecimento de uma linha de “swap” (troca) de dólares americanos por reais no valor de US$ 30 bilhões.

Segundo o BC, essa linha será utilizada para incrementar os fundos disponíveis para as operações em dólares feitas pelo BC no Brasil. Isso inclui os leilões de dólares realizados por aqui. A linha é válida até 30 de abril de 2009.

Já a Caixa Econômica Federal confirmou hoje que irá disponibilizar uma linha de crédito de capital de giro de R$ 3 bilhões para empresas de construção civil. Além disso, o governo vai permitir outros bancos direcionem mais recursos da poupança para essas empresas. O governo vai criar um fundo com base nos dividendos que seriam pagos pela Caixa à União até 2010. O fundo terá de R$ 1,050 bilhão, ou seja, vai garantir 35% das operações.

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30 de outubro

BC anuncia regra para forçar os bancos a liberar o crédito obtido com o alívio no compulsório. Hoje, o dinheiro do compulsório sobre depósitos a prazo é recolhido na forma de títulos públicos. Ou seja, o banco recebe uma remuneração igual a do título. Agora, os bancos irão recolher apenas 30% em títulos. Os outros 70% serão recolhidos em espécie, ou seja, vão ficar parados no BC sem remuneração. Para não sofrer essa “punição”, os grandes bancos terão de comprar carteiras de crédito e outros papéis de bancos menores que estejam com problemas de liquidez (falta de dinheiro).

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4 de novembro

Banco Central altera regras para os leilões de empréstimos de dólares destinados a financiar o comércio exterior. Até agora, o BC só havia realizado em leilão desse tipo, no valor de US$ 1,6 bilhão. Pela nova regra, os bancos poderão participar desses leilões de dólares sem apresentar garantias em títulos, como era exigido até hoje. Será feita apenas uma operação de empréstimo de dólares das reservas internacionais por 30 dias. Nessas operações, ao invés de títulos, os bancos dão como garantia o valor dos dólares em reais.

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5 de novembro

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) anuncia criação de uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para financiamento dos produtores rurais. O dinheiro será usado para financiar as CPRs (Cédulas do Produtor Rural). A operação da linha será feita pelo Banco do Brasil.

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6 de novembro

O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou, durante reunião do chamado Conselhão (o CDES, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), uma série de novas medidas que, juntas, disponibilizam R$ 19 bilhões em linhas de crédito para diversos setores via BNDES (banco estatal de investimento) e Banco do Brasil.

O anúncio com valor mais alto refere-se ao BNDES, que terá mais R$ 10 bilhões para financiar o capital de giro de empresas e para empréstimos em linhas de exportação pré-embarque –ou seja, os valores serão usados para permitir as vendas externas.

Outros R$ 5 bilhões, provenientes do BB (Banco do Brasil), serão usados para abrir uma linha de crédito para capital de giro de pequenas e médias empresas.

Como já era esperado, Mantega confirmou R$ 4 bilhões, também do BB, para ajudar os bancos de montadoras a elevar o crédito aos consumidores.

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11 de novembro

O governo de São Paulo lançou uma linha de crédito de R$ 4 bilhões, por intermédio do banco Nossa Caixa, para os bancos e financeiras ligadas às montadoras de veículos em todo o país, que sofrem com a escassez de crédito.

À tarde, a Caixa Econômica Federal divulgou a ampliação do limite de financiamento para compra de material de construção de R$ 7.000 para R$ 25 mil.

À noite, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou conjunto de medidas de alívio tributário e de aumento do crédito para o setor produtivo para ajudar as pequenas e médias empresas.

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12 de novembro

A Caixa Econômica Federal libera R$ 2 bilhões para financiar bens de consumo diretamente no varejo e estimular a economia brasileira. Segundo informou a instituição nesta quarta-feira, a medida abrange a compra de eletrodomésticos, eletrônico, móveis, TV e vídeo, além de material de construção.

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13 de novembro

BC anuncia nova mudança no compulsório, alterando a forma de recolhimento de cerca de R$ 40 bilhões, o que representa quase 20% de todo o depósito compulsório depositado hoje pelos bancos. O compulsório adicional sobre depósitos à vista, a prazo e poupança (chamado pelo BC de “exigibilidade adicional”), que hoje é recolhido em espécie, passará a ser recolhido em títulos públicos a partir de 1º de dezembro.

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16 de novembro

O governo publica medida provisória que altera as datas de pagamento de tributos federais como o IR (Imposto de Renda) recolhido na fonte, a contribuição previdenciária, do PIS/Cofins e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

O pagamento do IR e da contribuição para a Previdência passam a ser pagos não mais no dia 10, mas no dia 20 do mês seguinte ao fato gerador. O pagamento do IPI será adiado do dia 15 para o dia 25 de cada mês. O PIS/Cofins terá uma ampliação menor de prazo, do dia 20 para 25.

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21 de novembro

O governo publica o decreto que reduz o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado nos financiamentos para a compra de motos por pessoas físicas. A alíquota agora vai passar de 3,38% para 0,38%. Poderão ser financiadas com imposto mais baixo motocicletas, motonetas e ciclonetas.

No início do ano, o governo elevou o IOF de 1,5% para 3,38% para recompor a perda da CPMF, cuja alíquota era de 0,38% sobre qualquer movimentação financeira.

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25 de novembro

O Banco Central anuncia novas mudanças nos depósitos compulsórios para destinar mais R$ 6,2 bilhões ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Esse dinheiro faz parte dos R$ 10 bilhões extras anunciados pelo governo no início do mês. O restante já chegou ao BNDES por meio da Caixa Econômica Federal, que irá emprestar o dinheiro para reforçar o capital de giro das empresas nesse momento de crise.

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1º de dezembro

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anuncia a criação de uma nova linha de capital de giro de empresas brasileiras, de até R$ 6 bilhões. A nova linha visa recuperar a concessão de crédito para as empresas, que segundo o BC (Banco Central) começou a se recuperar, ainda que em patamares tímidos. O prazo da linha vai até 30 de junho de 2009.

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11 de dezembro

O CMN (Conselho Monetário Nacional) anuncia que vai ampliar as alternativas de aplicação das reservas internacionais do Brasil. O Banco Central ficará autorizado a disponibilizar parte desse dinheiro, por meio dos bancos, para as empresas brasileiras que precisem rolar financiamentos feitos no exterior. O governo estima gastar mais de US$ 10 bilhões das reservas, que hoje estão acima de US$ 200 bilhões.

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11 de dezembro

Governo federal anuncia medidas para reduzir impostos e aliviar os efeitos da crise econômica que pretendem injetar R$ 8,4 bilhões na economia. Entre as principais mudanças anunciadas estão a nova tabela do Imposto de Renda, a redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o consumo e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para as montadoras.

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12 de dezembro

O governador de São Paulo, José Serra, anunciou um pacote de medidas fiscais e financeiras para ajudar na redução dos impactos da crise financeira global. Entre as medidas tomadas pelo governo paulista estão uma linha de crédito de R$ 1,2 bilhão para empresas de autopeças e máquinas e mudanças nos regulamentos do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e da Nota Fiscal Paulista.

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16 de dezembro

Os bancos pequenos terão R$ 5,4 bilhões a mais para utilizarem em operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas. O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou hoje a liberação de recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para essas instituições.

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17 de dezembro

Banco Central divulga que balanço da liberação de depósitos compulsórios, que soma R$ 98 bilhões. O compulsório é o dinheiro dos clientes que os bancos são obrigados a deixar depositados no BC.

BC também divulga que já fez atuações no mercado de câmbio no valor de US$ 53,4 bilhões entre os dias 19 de setembro e 16 de dezembro para segurar a disparada do dólar.

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22 de janeiro de 2009

Governo anunciou recursos adicionais para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 100 bilhões para os anos de 2009 e 2010. Esse dinheiro virá por meio do caixa do governo e das captações feitas no exterior pelo Tesouro Nacional.

O dinheiro ficará disponível para o banco, que irá sacar conforme necessário. Serão priorizados investimentos na área de gás e energia, bens de capital e infraestrutura, entre outros setores. Também vão garantir os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da Petrobras.

Fonte: Folha Online

Pedidos de auxílio-desemprego sobem e nº de beneficiados bate recorde nos EUA

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 29/01/2009

Economy Jobless ClaimsO número de pessoas que já recebem auxílio-desemprego nos EUA bateu recorde, chegando a 4,78 milhões na semana encerrada no último dia 17. Trata-se do maior número desde 1967, quando o departamento começou a registrar os dados. O dado se refere a pessoas que recebem o benefício há pelo menos duas semanas. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho.

Já o número de pedidos iniciais de aumentou em 3.000, subindo para um total de 588 mil na semana encerrada no último dia 24. Na semana imediatamente anterior foram registrados 585 mil solicitações iniciais do benefício –contra uma estimativa inicial de 589 mil. A média quadrissemanal, que atenua as volatilidades das leituras semanais, ficou em 542.500, um aumento de 24.250 sobre a média anterior de 518.250.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou a Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) pela aprovação do pacote de estímulo à economia, de US$ 819 bilhões. Obama disse que o plano “vai salvar ou criar mais de três milhões de empregos nos próximos anos”.

Em uma nota publicada após a decisão da Câmara, o presidente americano destacou alguns dos números do mercado de trabalho –2,6 milhões de empregos perdidos no ano passado, o corte de “outros 55 mil” só nesta segunda-feira, por parte de algumas grandes empresas como Caterpillar e Sprint Nextel. A taxa de desemprego do país chegou a 7,2% em dezembro, maior desde 1993.

Cortes

Algumas das principais empresas dos EUA já anunciaram mais de 125 mil cortes de postos de trabalho neste mês. Ontem, a rede de cafeterias Starbucks anunciou o fechamento de 6.700 vagas, além do fechamento de 300 lojas –além das 600 que já haviam sido anunciadas.

Na segunda-feira (26) a fabricante de máquinas para construção Caterpillar anunciou o corte de 20 mil vagas; no mesmo dia a Sprint Nextel anunciou o fechamento de 7.000 empregos. Já anunciaram cortes na casa dos milhares também a Microsoft (5.000), IBM (2.800, segundo o sindicato Alliance@IBM), Boeing (10 mil), Pfizer (2.400) e Home Depot (7.000).

Hoje o diário britânico de economia “Financial Times” informou que o grupo de mídia americano Time Warner prevê suprimir 10% de seu pessoal, cerca de 700 empregos, em sua divisão de internet AOL (America Online) devido às expectativas negativas para 2009.

Fonte: Folha Online

Gerald Celente: Os EUA terão revolução e rebeliões por comida e por causa de imposto até 2012

Posted in Anticristo, Crise, Crise Americana, Fim do Dólar, Fim do Euro, Nova Ordem Mundial by Blog Juízo Final on 29/01/2009

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Prognosticador de tendências, conhecido pela sua precisão no passado, diz que a América deixará de ser uma nação desenvolvida dentro de 4 anos, a crise será “pior do que a grande depressão.”


O homem que previu o impacto do mercado acionário em 1987, e da queda da União Soviética está agora com uma previsão de revolução na América, distúrbios alimentares e rebeliões fiscais – tudo dentro de quatro anos, enquanto adverte que colocar comida na mesa será uma preocupação mais premente do que comprar presentes de natal em 2012.


Gerald Celente, the CEO of Trends Research Institute é conhecido pela sua acurácia em predizer eventos futuros e econômicos no mundo, fato que irá nos dar um calafrio na espinha, devido ao que ele disse a FOX NEWS.

 


 

Celente diz que a América em 2012 se tornará uma nação subdesenvolvida, que haverá uma revolução acentuada por revoltas de comida, rebeliões para ocupação de propriedades alheias, revoltas fiscais e marchas trabalhistas, e que em feriados e festas as pessoas irão querer comida ao invés de presentes.


Nós iremos ver o fim do varejo de natal, iremos ver uma mudança fundamental tomar o lugar, colocar comida na mesa irá ser mais importante do que colocar presentes em árvore de natal, disse Celeste. acrescentando que a situação irá ser “pior do que a grande depressão”.


A América irá passar por uma transição pela qual ninguém está preparado, disse Celeste. Lembrando que as pessoas se recusam a aceitar que a América está entrando em recessão, e ainda destaca que o grande problema está nessa negação, e que isso atrapalha para que todos estejam prontos para a real dimensão da crise.


Celente, previu com sucesso a crise monetária da Ásia em 1997, o colapso do subprime hipotecário, e desvalorização acentuada do dólar nos EUA, disse a UPI em novembro do ano passado que o ano seguinte seria conhecido como “O Pânico de 2008” , acrescentando que “gigantes iriam levar um tombo para a morte”, que é exatamente o que temos assistido com o colapso da Lehman Brothers, Bear Stearns e outros. Ele também disse que acabaria por ser o dólar desvalorizado em mais de 90 por cento.


A conseqüência daquilo que iríamos ver desdobrar ao longo do ano iria levar a uma redução dos padrões de vida, Celente predisse um ano atrás, que está sendo corroborado pelos dados de quedas das vendas à varejo.


A perspectiva de uma revolução era um conceito que foi ecoado pelo Ministério britânico da Defesa no relatório do ano passado, que previa que dentro de 30 anos, o crescente fosso entre os super ricos e a classe média junto com uma subclasse urbana significaria uma ameaça a ordem social. “As classes médias do “mundo” poderiam se unir, utilizando o acesso aos conhecimentos, competências e recursos para modelar processos transnacionais no interesse de sua classe”, e que” As classes médias poderiam se tornar uma classe revolucionária. “


 

Numa recente entrevista separada, Celente foi mais longe sobre o tema da revolução na América.

 


“Haverá uma revolução neste país”, disse ele. Não virá já, mas passará do nível aceitável, e o que foi o catalisador para isso: a posse de Washington DC em pleno dia em Wall Street neste incruento golpe. E isso vai acontecer pois as condições para isso continuam a agravar-se. “


“A primeira coisa a fazer é organizar as revoltas contra impostos. Isso vai ocorrer em grande quantidade porque as pessoas não têm dinheiro para pagar mais imposto escola, propriedade fiscal, qualquer tipo de imposto. Nós iremos começar a ver estes tipos de protestos começarem a desenvolver-se. “


“Vai ser muito sombrio, muito triste. Iremos ver muitas pessoas sem abrigo, coisa nunca vista antes. Barracas nas cidades estão brotando por todo o país e nós iremos ver muito mais.


“Iremos começar a ver grandes áreas com imóveis vagos, e também desabrigados que habitarão estes imóveis. Irá ser um panorama que os americanos não estão acostumados a ver. Isto virá com um grande choque e existirá uma grande quantidade de crimes. E a criminalidade irá ser bem pior do que antes, pois na Grande Depressão de 1929, as mentes das pessoas não eram tão corrompidas com estas drogas modernas, drogas vendidas sem receita médica, metanfetamina, ou qualquer coisas parecidas com isso. Então teremos uma enorme subclasse de pessoas desesperadas com suas mentes quimicamente transtornadas além da compreensão humana. O blog George Washington compilou uma lista das citações que comprovam a exatidão de Celente,com relação aos seus prognósticos.

 


“Quando a CNN quer saber sobre as Grandes Tendências, ela pede a Gerald Celente”
– CNN Headline News



“Uma rede de 25 peritos cuja gama de especialidades iria rivalizar com muitas faculdades universitárias”.
– The Economist



“Gerald Celente tem um talento pra pegar o espírito certo”.
– USA Today



“Não existe um prognosticador de tendência melhor do que Gerald Celente. O homem sabe o que ele está falando.”
– CNBC



“Aqueles que levam a sério as suas previsões….
Trends Research Institute.”
– O Wall Street Journal



“Gerald Celente está sempre a frente da curva das tendências, e sinistramente sobre a marca….ele é um dos mais precisos prognosticadores que temos”
– The Atlanta Journal-Constitution



“O Sr. Celente dá pistas e direções no mundo social, econômico e empresarial para clientes corporativos.
– The New York Times



“O Sr. Celente é um cara muito inteligente. Nós somos capazes de aprender sobre as tendências a partir de uma autoridade “
– 48 Hours, CBS News



“Gerald Celente possui um sólido histórico. Ele previu tudo, desde o colapso bolsista de 1987 e o desaparecimento da União Soviética para o “marketing verde” e a redução corporativa.”

– The Detroit News



“Gerald Celente, previu o impacto no mercado acionário de 1987, “marketing verde”, e o crescimento rápido dos cafés gourmets.”
– Chicago Tribune



The Trends Research Institute é o Padrão e Pobre da Cultura Popula.r”
– The Los Angeles Times



“Se Nostradamus estivesse vivo hoje, ele faria um páreo duro com Gerald Celente.”
– New York Post



Paul Joseph Watson


Fonte: Prison Planet

Gerald Celente: Do pânico de 2008 ao colapso de 2009

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 29/01/2009

celente72O mas influente previsor do país, que acertadamente previu o caos econômico de 2008 com quase um ano de antecedência, está agora, sugerindo que o próximo ano será conhecido como ” O colapso de 2009″.

Gerald Celente, executivo chefe do “Trends Research Institute” enviou uma carta a seus clientes anunciando a compra do domínio chamado “Collapseof09.com”.

Por volta dessa mesma época no ano passado, Celente enviou a seguinte mensagem para seus destinatários.

Em 2008, os Americanos acordarão nos piores tempos econômicos já vistos na história do país, e ninguém saberá o que os atingiu. Assim, como eles ficaram em estado de choque em 11/9, ficarão ainda mais paralisados quando o pânico atingir o coração de Wall Street.

Deixando de lado a influente previsão ao seu próprio risco. “Se você acredita que tudo ficará bem e que a máquina do estado navega de acordo com a maré, esqueça isso e preocupe-se em seu negócio”.

Tendo previsto corretamente o caos econômico de 2008, Celente nos alerta para estarmos preparados para algo pior em 2009.

Como foi relatado no mês passado, Celente recentemente disse na Fox News que até 2012, os EUA se tornarão uma nação subdesenvolvida, marcada por motins em busca de comida, invasão de propriedades e marchas por empregos,e também que em datas comemorativas, as pessoas deverão se preocupar por obter comida ao invés de receber presentes.

Celene tem sempre acertado em suas previsões desde quando previu a crise monetária asiática no ano de 2007, e a crise hipotecária junto com a massiva desvalorização do dólar nos EUA.

Em 2007, Celente adiantou que gigantes estavam próximos de uma falência, que foi o que todos nós testemunhamos com o colapso dos Lehman Brothers, Bear Sttearns e outros.

Celente ressaltou que o atual estado de escassez na economia nos conduzirá para nada menos que uma revolução.

“Teremos uma revolução neste país,” ele disse. Não está para vir ainda, mas isto irá descer a linha e iremos ver a terceira parte disso como uma espécie de catalisador. A tomada de Washington , D.c em plena luz do dia em uma revolução sem derramamento de sangue. E tudo isso irá ocorrer quando as condições continuarem a piorar”.

fonte: Prison Planet

Wolf: Por que lidar com uma dívida imensa é tão difícil

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 28/01/2009

Financial Times

35210_017Martin Wolf, colunista do Financial Times

Quanta dívida é demais? Ninguém sabe. Mas os governos das economias de alta renda altamente endividadas – como os Estados Unidos e o Reino Unido – acham que sabem a resposta: mais do que hoje. Eles querem que ainda mais crédito flua para seus setores privados em dificuldades. Esta é uma meta alcançável? Se for, como poderia ser atingida?

Vamos começar com alguns fatos. A relação entre dívida pública e privada e o produto interno bruto nos Estados Unidos chegou a 358% no terceiro trimestre de 2008. Este foi o ponto mais alto na história americana. O pico anterior de 300% foi atingido em 1933, durante a Grande Depressão.

Quase toda essa dívida é privada. Ele atingiu um pico de 294% do PIB em 2007, um aumento de 105 pontos percentuais em relação à década anterior. O mesmo aconteceu no Reino Unido, em uma escala ainda mais impressionante. Esta foi uma expansão gigante de dívida e crédito.

Particularmente notável é a composição da dívida crescente. No início dos anos 30, grande parte da dívida privada americana era de propriedade de empresas não-financeiras: logo, a deflação no balancete ocorreu nas empresas, como também foi o caso no Japão nos anos 90. Desta vez, entretanto, o grande aumento na dívida foi no setor financeiro e nos lares.

Ao longo das últimas três décadas, a dívida do setor financeiro americano cresceu seis vezes mais rápido do que o PIB nominal. Os aumentos conseqüentes em sua escala e alavancagem explicam por que, no pico, o setor financeiro supostamente gerou 40% dos lucros corporativos americanos. Decididamente, algo não saudável estava ocorrendo: em vez de ser um servo, o setor financeiro se tornou o mestre da economia. Em um breve relato soberbo da calamidade atual, lorde Turner, o presidente da Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido, se refere explicitamente a “lucros ilusórios”*.

Além disso, a dívida dos lares – grande parte dela associada à habitação – também aumentou rapidamente: de 66% do PIB americano em 1997 para 100% em 2007. Um salto ligeiramente maior no endividamento dos lares pode ser visto no Reino Unido.

O que esses aumentos da dívida prenunciam? A resposta poderia ser: nada. Afinal, por todo o mundo, dívida não resulta em nada. Em princípio, a capacidade de transferir poder de compra dos mutuantes para os mutuários é altamente desejável: como dizia uma campanha publicitária britânica, o crédito “tira a espera do querer”. Mas as pessoas também podem cometer grandes erros, particularmente se confundirem bolhas com preços permanentemente altos. O setor financeiro é praticamente propenso a esses erros. Como Carmen Reinhart, da Universidade de Maryland, e Kenneth Rogoff, de Harvard, comentam: “Crises bancárias sistêmicas são tipicamente precedidas por bolhas de preços de ativos, grandes afluxos de capital e booms de crédito, tanto em países ricos quanto em países pobres”**.

Assim que as bolhas de ativos estouram, fica difícil encontrar mutuários e mutuantes que estejam dispostos ou tenham crédito. O extremamente endividado começa a pagar suas dívidas, como agora. A poupança também aumenta. Mas a poupança líquida pode não aumentar: em seu lugar, as rendas poderiam sofrer um colapso. Isto é o que John Maynard Keynes chamou de “paradoxo da parcimônia”. O resultado será uma queda causada pelo colapso dos balancetes em vez das tentativas de controlar a alta da inflação.

E o que poderia ser feito?

Alguns recomendam uma “liquidação”. Uma série de falências de fato eliminaria uma dívida flutuante, como aconteceu nos anos 30. Mas, com grande parte da economia emaranhada na falência e com a implosão do setor financeiro, o resultado seria uma depressão. Escolher esta opção seria insano.

Um pouco mais atraente é uma falência em massa organizada. As propostas para um troca organizada de dívida por participação acionária em instituições falidas ou enfermas se enquadra nesta categoria. Assim como permitir aos tribunais alterar os contratos de hipoteca. Executadas de forma eficiente e rápida, essas idéias são atraentes. Os custos recairiam sobre os acionistas e credores, não sobre os contribuintes, e isso manteria o princípio da responsabilidade privada.

Uma abordagem oposta seria sustentar os níveis existentes da dívida, reduzindo seus custos para os mutuários e tentar sair dela ao longo de muitos anos. É isso o que buscam as atuais políticas monetárias. É uma boa idéia, apesar de desagradável para os credores. Mas isso não geraria empréstimos adicionais ou novos gastos; não impediria o endividado de tentar reduzir sua dívida; e não devolveria o setor financeiro à saúde.

Uma outra abordagem é substituir a dívida privada por dívida pública. Isso é o que agora significa a recapitalização dos bancos. Com o tempo, a dívida do setor privado deve cair, enquanto a dívida do setor público, explícita ou implícita, aumenta. A socialização da dívida aumenta as chances de sair dela. Isso já aconteceu antes, notadamente no caso da dívida pública do Reino Unido ao longo do século 19.

Finalmente, há a inflação. Se os bancos centrais e governos forem agressivos o bastante, eles podem gerar inflação, o que pode reduzir o fardo da dívida. Mas colocarão em risco a experiência – talvez até matá-la – com o “fiat money” (dinheiro fiduciário, ou feito pelo homem) sem lastro, que teve início em 1971.

Qual é a melhor abordagem?

No geral deve ser sair da dívida flutuante com socialização de uma parte de seu elemento essencial. Uma recaída na inflação seria um imenso fracasso da política.

Um plano também é necessário para tratar do apuro de muitos lares e do setor financeiro subcaptalizado e excessivamente dilatado.

O setor financeiro, como um todo, não pode sofrer uma desalavancagem com venda de ativos. Seria de ajuda se, em vez disso, as reivindicações das instituições financeiras globais pudessem ser removidas com um todo, apesar disso exigir uma cooperação internacional. O governo Obama também deve lançar em breve uma recapitalização do sistema bancário americano, mas não comprando os “ativos tóxicos” a preços acima do mercado. Uma troca de dívida por participação acionária seria preferível. Se isso é politicamente impossível ou desestabilizador demais, a recapitalização financiada pelo governo é inevitável. Só não ouse chamá-la de nacionalização.

Independente do que seja feito, uma verdade não pode ser evitada. Será muito difícil gerar um empréstimo líquido substancial pelos lares e corporações não-financeiras nos países de alta renda com alta dívida interna. É inimaginável que retornarão aos níveis de tomada de empréstimo pelo setor privado, gastos e endividamento que caracterizaram estes países por muito tempo. Países com grande superávit em conta corrente há muito exigem o fim do endividamento e gastos perdulários pelos consumidores dos quais dependem. Eles deveriam ter cuidado com o que desejavam: é o que terão agora. Desfrutem!

*A Crise do Setor Financeiro e o Futuro da Regulamentação Financeira, http://www.fsa.gov.uk

**Crises Bancárias: uma Ameaça de Oportunidade Igual, Birô Nacional de Pesquisa Econômica, Trabalho 14587, dezembro de 2008, http://www.nber.org

Tradução: George El Khouri Andolfato

Fonte: Uol

Crise poderá eliminar 51 milhões de empregos no mundo, diz OIT

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 28/01/2009

oit1France Presse e Reuters

A crise econômica mundial poderá deixar sem emprego até o final de 2009 cerca de 51 milhões de pessoas no mundo, caso as condições econômicas mundiais continuem a se deteriorar. A taxa de desemprego mundial, por sua vez, pode chegar a 7,1% neste cenário, contra os 6% de estimativa anterior. Os dados constam do relatório anual da OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgado nesta quarta-feira.

Segundo os dados divulgados, a alta no número de desempregados é a maior desde que a OIT iniciou a contagem da situação dos trabalhadores, em 1991. Isso elevaria para cerca de 230 milhões as pessoas que não terão emprego até o final do ano no mundo, ante 179 milhões em 2007 e 190 milhões em 2008. Se considerada apenas a América Latina, até 23 milhões de pessoas viverão sem emprego até o fim de 2009, ante 19 milhões em 2007.

Na pesquisa anterior, de outubro do ano passado, a OIT previa que seriam eliminados da economia mundial 20 milhões de empregos até o fim deste ano.

No cenário mais otimista para a economia mundial, o mundo pode chegar ao fim do ano com 18 milhões de desempregados a mais que no fim de 2007, com uma taxa global de desemprego de 6,1%. Em um outro cenário, menos moderado, 30 milhões de empregos podem desaparecer no mundo no período, com uma taxa de desemprego de 6,5%.

“A mensagem da OIT é realista, não pessimista. Estamos agora encarando uma crise global de empregos”, disse o diretor-geral da organização, Juan Somavía, em um comunicado. “Muitos governos estão conscientes e agindo, mais uma ação internacional mais decisiva e coordenada é necessária para evitar uma recessão social global.”

“Se a recessão se aprofundar em 2009, conforme muitas previsões, a crise mundial dos empregos vai se agravar acentuadamente”, informou o relatório. “Podemos prever que, para muitos dos que conseguirem conservar seus empregos, seus ganhos e outras condições de trabalho vão piorar.”

O peso dos cortes de empregos deve se fazer sentir mais nos países desenvolvidos, mas os países em desenvolvimento sofrerão um forte impacto, segundo a OIT. A organização havia informado ontem que, na América Latina, a crise deve eliminar cerca de 2,4 milhões de empregos neste ano.

América Latina

Em estudo apresentado ontem em Brasília, a OIT mostrou que o ciclo de redução do desemprego na América Latina e Caribe, que vinha se desenhando nos últimos cinco anos, vai chegar ao fim em 2009. Desde 2003, quando o nível de desocupação na região atingiu o patamar de 11,2%, o indicador vinha caindo e chegou a 7,5% em 2008. Com isso, a taxa de desocupação da população economicamente ativa nas cidades pode voltar aos 8,3% de 2007.

Intitulado “Panorama Laboral”, o panorama alerta ainda que a perda da renda e do emprego de chefes de família e um processo de retorno de migrantes aos seus lugares de origem podem pressionar ainda mais os mercados mundiais.

Segundo o relatório da OIT, as regiões da África subsaariana e do Sudeste Asiático se destacam como regiões com condições extremamente difíceis nos mercados de trabalho e com as maiores taxas de trabalhadores pobres.

O norte da África e o Oriente Médio tinham as mais altas taxas de desemprego no fim de 2008, 10,3% e 9,4% respectivamente. No centro e no sudeste da Europa e nos países da extinta União Soviética encerraram 2008 com o desemprego em 8,8%, nos países da África subsaariana a taxa era de 7,9% e na América Latina, 7,3%. A menor taxa era a do leste da Ásia, 3,8%.

Demissões

Diversas empresas já anunciaram cortes de empregos por causa da crise econômica mundial. Na segunda-feira, a fabricante americana de máquinas de construção Caterpillar anunciou um corte expressivo, de 20 mil empregos. No mesmo dia, a empresa de telecomunicações americana Sprint Nextel anunciou um corte de 7.000 empregos; a empresa de materiais e produtos de construção Home Depot informou que irá cortar outros 7.000. Um outro corte expressivo, também nos EUA, já havia sido anunciado em dezembro pelo Bank of America, de 35 mil empregos.

As empresas do setor de tecnologia, tanto em países europeus como em outros continentes, também vêm anunciando cortes nas últimas semanas, devido aos efeitos negativos da crise. Na Europa, a holandesa do setor de tecnologia Philips anunciou 6.000 cortes. Nos EUA, a Microsoft já informou que vai reduzir seu quadro de funcionários em 5.000 vagas nos próximos 18 meses.

O sindicato Alliance@IBM, ligado à Federação Americana do Trabalho/Congresso das Organizações Industriais (AFL/CIO, na sigla em inglês) informou também que a IBM estaria planejando demitir mais de 2.800 funcionários.

No Japão, a fabricante de componentes eletrônicos japonês NEC Tokin anunciou ontem o corte de 9.450 empregos no mundo, dos quais 450 no país.

Fonte: Folha Online

Wolf: por que o presidente Obama precisa curar a economia mundial doente

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 28/01/2009

Financial Times

wolfd07-tnMartin Wolf, Colunista do Financial Times

Pobre presidente Barack Obama. Ele chegou ao poder em parte devido à crise econômica global. Ele, grande parte dos americanos e o restante do mundo concordam que os Estados Unidos quebraram a economia mundial e agora têm o dever de consertá-la. Infelizmente, este consenso é falso. A crise é um produto da economia global. Ela não pode ser curada pelos Estados Unidos sozinhos.

Felizmente, Obama tem a autoridade necessária para liderar o mundo para uma solução: suas mãos estão limpas e sua falta de desejo de desculpar seu país é evidente. Também é do interesse de seu país e do mundo que a economia mundial seja devolvida a uma situação mais firme. Se esse esforço fracassar, eu temo que um ressurgimento do protecionismo será o resultado.

E qual é o fracasso mundial? É a interação maligna entre a propensão de alguns países de superávit excessivo crônico e a propensão oposta de outros países de demanda excessiva. Este é o tema do meu livro “A Reconstrução do Sistema Financeiro Global”. Mas o principal ponto a respeito da economia global atual é que o endividamento dos lares, alimentado pelo crédito, que apoiou a demanda excessiva nos países deficitários, sofreu uma parada repentina. A menos que isso seja revertido, a oferta excessiva dos países com superávit também sofrerá um colapso. Esta declaração segue como uma questão de lógica: na esfera mundial, a oferta deve igualar a demanda. A questão é apenas como deve ocorrer o ajuste.

Michael Pettis, da Universidade de Pequim, expôs o argumento no “Financial Times” em 14 de dezembro de 2008. O professor Pettis vê o mundo dividido em dois campos econômicos: em um estão os países com sistemas elásticos de financiamento do consumidor e alto consumo; no outro estão os países com alta poupança e investimento. Os Estados Unidos são o exemplo mais importante do primeiro e a China o mais importante do segundo. A Espanha, o Reino Unido e a Austrália são miniversões dos Estados Unidos; Alemanha e Japão são versões maduras da China contemporânea.

Eu argumentei que a força motriz por trás desses “desequilíbrios” é a política adotada pelos países com superávit, particularmente a China, cujos superávits cresceram de forma particularmente rápida. Uma taxa de câmbio administrada, acúmulos imensos de reservas de moeda estrangeira e esterilização de suas conseqüências monetárias, disciplina fiscal rígida e altos lucros retidos pelas empresas geraram taxas de poupança nacional bem acima de 50% do produto interno bruto e superávits em conta corrente de mais de 10%. A poupança dos lares parece gerar menos de um terço da poupança total. Por sua vez, o investimento é despejado na expansão da oferta, incluindo a de produtos exportados: a razão entre exportações e PIB da China saltou de 38% do PIB, no início de 2002, para 67% em 2007.

A visão de que os excessos dos países deficitários foram em parte uma resposta ao comportamento dos países com superávit é compartilhada por vários autores de políticas, incluindo Hank Paulson, o secretário do Tesouro americano que está de saída. Zhang Jianhua, do Banco Popular da China, teria declaro que “esta visão é extremamente ridícula, irresponsável e uma ‘lógica de gângster'”. No seu entender, o padrão dos déficits e superávits globais foi causado exclusivamente pelos autores de políticas ocidentais, particularmente as políticas monetárias frouxas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e expansão desregulamentada do crédito.

Mas, independente de quem seja o maior responsável, um ponto é certo: as imensas bolhas de preços de ativos possibilitaram o excesso de oferta de alguns países, particularmente a China. Desde a crise financeira asiática de 1997-98, o mundo desenvolvido -e os Estados Unidos em particular- experimentaram, sucessivamente, a maior bolha no mercado de ações e a maior bolha imobiliária alimentada pelo crédito da história. Esta era acabou. Nós lidaremos com suas consequências por anos.

E o que acontecerá agora? A implosão da demanda dos setores privados dos países deficitários financeiramente enfermos pode acabar de dois modos, ou com aumentos compensadores na demanda ou com contrações brutais na oferta.

Se ocorrerem contrações na oferta, os países com superávit estarão particularmente em risco, já que dependem da disposição dos países deficitários de manter os mercados abertos. Esta foi a lição aprendida pelos Estados Unidos nos anos 30. Os países com superávit gostam de condenar seus clientes de serem perdulários. Mas quando a gastança para, os primeiros são seriamente prejudicados. Se tentarem subsidiar seu excesso de oferta, em resposta à queda na demanda, a retaliação parece certa.

Obviamente, a expansão da demanda é a melhor solução. A pergunta é onde e como? No momento, grande parte da expansão deverá vir do orçamento federal americano. Não se sabe se isso funcionará. Mesmo os Estados Unidos não podem incorrer em déficits fiscais de 10% do PIB indefinidamente. Grande parte da expansão necessária na demanda global deve vir dos países com superávit.

A administração deste ajuste é o maior desafio para o grupo das 20 economias avançadas e emergentes, que se reunirão em Londres no início de abril. Obama deve assumir a liderança. Ele pode -e deve- dizer que espera que estes ajustes sejam feitos, mas entende que levarão tempo. Ele também pode sustentar medidas monetárias e fiscais excepcionais a curto prazo, se os principais parceiros comerciais de seu país fizerem os ajustes necessários a médio prazo em seus gastos. A China, em particular, precisa criar uma economia liderada pelo consumo. Isso é do interesse da China. Também é do interesse do mundo.

Mas isso não é o que os Estados Unidos devem propor. Se a economia mundial for menos dependente de bolhas destrutivas, mais do capital excedente do mundo precisa fluir para investimento nas economias emergentes. O problema, entretanto, é que esses fluxos sempre levaram a crises. Foi o motivo para as economias emergentes buscarem acumular vastas reservas de moeda estrangeira nesta década. É essencial, portanto, fazer com que a economia mundial dê mais apoio ao crédito líquido das economias emergentes.

O que será necessário para isto é um seguro bem maior e mais eficaz contra riscos ao sistema do que o Fundo Monetário Internacional é capaz de fornecer. Um passo crucial é uma reestruturação da governança do FMI, para melhorar sua resposta às necessidades dos tomadores de empréstimo responsáveis. Uma das idéias que Obama deve propor é a formação de um comitê de alto nível para recomendar uma reestruturação radical das instituições globais, tendo em vista a redução dos riscos de crises nos mercados emergentes que precederam a era das bolhas nos países avançados.

Vamos deixar claro sobre o que está em jogo. É essencial consertar esta encrenca imensa atual. Mas também é evidente que uma economia mundial aberta será insustentável se ela permanecer dependente de bolhas. No momento, o risco do colapso da globalização não é pequeno. Obama está presente na recriação do sistema econômico mundial. É um desafio que ele precisa encarar.

Fonte: Uol