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Perspectivas para 2009 da economia mundial

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 21/01/2009

walter_eichelburg3Walter Eichelburg, Engenheiro.

2009 – O ano quando começa a depressão

Com o início da crise financeira no verão de 2007, começou um longo processo de decadência econômica. Em 2007 nada foi praticamente notado na economia real. No outono de 2008 (outono europeu), o mundo todo entrou numa recessão. O declínio se acentua e agora, em 2009, todos os sinais apontam para o início de uma grave recessão.

Até agora o sistema pôde ainda se agüentar com impressão de dinheiro, garantias estatais e medidas semelhantes, sem que a população tenha ainda se dado conta da situação. Mas a coisa se altera agora com uma derrocada sem paralelos da economia real. Os próximos na linha de tiro serão os Estados. Então tudo tornar-se-á claro quando a hora chegar.

Teremos em 2009: um exército de milhões de desempregados, falência maciça de bancos, colapso de países, hiperinflação, distúrbios, etc. E o preço do ouro explodirá.

Mas isso será apenas o início. 2009 será o primeiro ano de uma longa depressão no mundo todo. Mas não será o fundo do poço.

Até agora o mundo está “são”

Meu último artigo “Retrospectiva 2008” mostrou o que aconteceu desde o início da grande crise financeira no verão de 2007. Por isso não entraremos mais aqui nos detalhes do passado.

O mais importante: por várias vezes durante esta crise estivemos na iminência de um colapso total do sistema bancário, porém, ele pôde ser sempre evitado. A última vez foi em outubro de 2008, quando em muitos paises a poupança teve que ser garantida pelo Estado, pois havia iniciado um enorme Run aos bancos. Estas garantias impediram o Run – até agora.

As pessoas entre nós acreditam ainda no Estado e que este poderia garantir continuamente os depósitos. Em países como a Islândia, Hungria, Ucrânia, etc, o Estado esteve à beira do precipício devido a tais semelhantes medidas, entretanto, pôde ser salvo pelo FMI e EU no último minuto. Não se quer mostrar ao vivo para todos uma falência de um país. Isso aconteceu com nossa dignidade de crédito, ou seja, crédito do Ocidente.

O mundo ainda está são para nós, ou seja, quase ninguém chegou a perder suas poupanças ou seguros de vida, da mesma forma os dividendos do Estado ainda funcionam sem problemas como uma aposentadoria. Mas o “ricos’ tiveram que sangrar intensamente com as perdas das bolsas e dos Hedge-Fonds, chegando a perder de 30 a 40% em 2008. Quem tinha ouro, este teve ainda um pequeno ganho.

Mas agora tudo muda.

Tsunami de insolvências

O jornal FAZ publicou em 09/01/2009 o artigo Fornecedores da indústria automobilística ameaçados de falência:

A indústria de auto-peças está ameaçada por uma onda de falências. Circula neste setor o fantasma do palavrão “Tsunami de insolvências”. Uma previsão exata sobre o número de fornecedores que irão falir não é arriscada por nenhum especialista. Até cerca de 500 empresas estão ameaçadas seriamente. Segundo uma pesquisa da KPMG, 90% dos diretores da indústria de auto-peças esperam um aumento do número de falências. Como motivo principal eles mencionam os altos custos, dívidas e obrigações previdenciárias.

Isso não se limita logicamente à Alemanha. Na Áustria, no restante da EU ou no Japão ou China, a situação é semelhante. Cerca de 100.000 fábricas já fecharam na China. As exportações no Japão diminuíram cerca de 27% – nunca tinha acontecido antes. Todo o setor de transporte de bens entra em colapso, os antigos “muros de caminhões” nas rodovias desapareceram, o transporte marítimo sofre ainda mais.

O ramo de eletrônicos também tem perdas maciças; o gigante dos chips, Intel, teve uma redução do faturamento de 23%; sobre os fabricantes da Malásia dispensam-se comentários.

Nos EUA e no Reino Unido, as cadeias de lojas do comércio estão falindo como dominós, algo que ainda não existe aqui entre nós; mas que virá.

A derrocada mundo afora da economia real continuará em 2009 e se agravará maciçamente. A conseqüente onda de demissões começarão no primeiro trimestre de 2009 e acelera – o mais tardar com o grande crash dos Bonds. Nós podemos ficar felizes se a taxa de desemprego ao final de 2009 se situar em 35%; provavelmente será maior.

Os bancos ainda estão de pé

Até o agora foi possível “salvar’ todos os grandes bancos – com exceção do Lehman Brothers, cuja falência foi uma amostra par aos políticos. Mas isso vai mudar.

A 8 de janeiro, o Estado alemão teve que realizar uma operação de salvamento no Commerzbank. Obviamente este banco estava à beira da insolvência. A crise começou, portanto, nos grandes bancos alemães. Entrementes, existem rumores que será necessário em breve um ajuda semelhante para o primus dos bancos alemães, o Deutsche Bank de Joe Ackermann.

Todos estes grandes bancos alemães estão na condição de utilizar de uma só vez o pacote de garantias da casa dos € 480 bilhões, anunciado pelo governo da Alemanha. Basta somente um golpe de azar como, por exemplo, um crash dos derivativos. Estes bancos são, na realidade, “too big to bail”, ou seja, muito grande para que possam ser salvos. Existem observadores bem informados que dão par ao Deutsche Bank uma sobrevida até fevereiro de 2009.

Na Suíça a situação de ambos os grandes bancos, UBS e CS, não é melhor. Cada um destes bancos está na condição de levar a Suíça à falência; e isso acontecerá.

Na Áustria também não está melhor, pois gigantescas operações de risco na Europa Oriental estão à espera dos “Ost-Banken”, ativos por lá. A maioria deste crédito de cerca de € 300 bilhões deverá ser abonada.

Em 2009, estes bancos cairão com os paises “garantidores”.

Só então a crise se revela plenamente e o pânico será total.

As vacas sagradas estatais tropeçam

A 8 de janeiro apareceu esta notícia no Financial Times: “German bond sale’s fate signals trouble”:

A German sovereign bond auction failed on Wednesday as investors shunned one of the most liquid and safe assets in the world in a warning for governments seeking to raise record amounts of debt to stimulate slowing economies.

The fate of the first eurozone bond auction of 2009 signals trouble ahead as governments around the world hope to issue an estimated $3,000bn in debt this year, three times more than in 2008.

The 10-year bonds failed to attract enough bids to reach the €6bn the German government wanted. Bids of €5.24bn, a cover of only 87 per cent, amounted to the second worst auction on record in terms of demand.

Um leilão de Títulos do Tesouro alemão falhou nesta quarta-feira, quando investidores recusaram um dos mais líquidos e seguros investimentos do mundo, devido ao receio do aumento da dívida pública ao estimular a morosa economia.

Este fato concernente ao primeiro leilão de títulos, em 2009, é um sinal de problemas visto que os governos ao redor do mundo prevêem um déficit de 3.000 bilhões de dólares para este ano, três vezes mais do que em 2008.

O Título de 10 anos falhou em atrair ofertas e fornecer os 6 bilhões de Euros que queria o governo alemão. Foi somente possível obter a oferta de 5,24 bilhões de Euros, que cobria somente 87%.

O que aconteceu: não foi possível vender em um leilão os Títulos do Tesouro de 10 anos. Isso é um claro sinal de alerta, mostrando que o mercado está saturado com estes títulos.

Normalmente, tais leilões estão sempre saturados, ou seja, existem mais compradores do que títulos disponíveis. A típica reação em um leilão fracassado desta natureza é a fuga dos títulos já vendidos e da moeda.

Exemplo: Na Hungria também foi assim há alguns meses. Primeiro falhou um leilão semelhante, então houve desvalorização dos títulos existentes e da moeda; o país estava praticamente falido.

Agora não se tratam dos títulos de um “país periférico”, mas sim o núcleo do sistema europeu – uma das “super vacas sagradas” tropeça.

Caso venha a acontecer uma venda maciça de Títulos do Tesouro alemão, então entrarão em colapso também todos os outros títulos dos outros países e o próprio Euro.

Como dito, foram os Títulos do Tesouro de longo prazo. Mortal, certamente, será quando os títulos de curto prazo não forem mais vendidos. É somente uma questão de tempo – então falência dos Estados.

Caso mais um leilão venha a falhar, a situação tornar-se-á realmente séria.

Exemplo de 1931: Naquele tempo aconteceu um motim em um navio da frota inglesa, por causa da diminuição dos salários devido à crise econômica. Imediatamente aconteceu um Run para a Libra. Os investidores consideraram que a prontidão britânica para a defesa (o império daquela época) não era mais um fato. Dentro de 5 dias, o governo teve que retirar a convertibilidade da libra ao ouro – pois o ouro sumiu.

A gente vê aqui que um mero motivo pode provocar um Run dos títulos e da moeda de uma país. E o run chegará também aqui.

Como está a outra “super vaca sagrada” – os Títulos do Tesouro dos EUA?

Nos EUA acontece agora o contrário: o bando de macacos de investidores profissionais dos fundos de investimentos corre para os Títulos do Tesouro dos EUA, como “porto seguro” ante a crise. Os juros dos títulos de curto prazo foram levados a zero, os juros dos títulos de 10 anos estão em 2,5%. Incrivelmente pouco para um Estado em falência – bem pior do que a Alemanha.

É claro que o Banco Central norte-americano, sob Ben Bernanke “Helicopter”, ajudou à medida em que ele anunciou sua intenção de comprar tais títulos em grande estilo. Até agora ele inflou maciçamente seu balanço primário com papéis podres dos bancos.

Somente este anúncio bastou para colocar em “Frontrunning” o bando de macacos com seus caros diplomas de MBA das universidades de elite Ivy League. Objetivou-se ser mais rápido do que Ben e aproveitar das cotações em alta.

Em um país “normal”, tal anúncio levaria a uma venda imediata destes papéis, pois com isso a quantidade de dinheiro é inflada e segue uma hiperinflação. Nos EUA, aparentemente isso não ocorre, pois o lema nas escolas de MBA repercute de tal forma que as pessoas não pensam, mas somente quer alcançar o cume mais cedo do que seu concorrente.

Entrementes, varias agências da mídia já alertam sobre o risco da bolha dos Títulos Públicos norte-americanos. Ela irá explodir logo; então começa a catástrofe. Não somente nos EUA, mas mundo afora, pois os US-Bonds do tesouro são as reservas monetárias de quase o mundo todo.

A hiperinflação

O resultado é uma hiperinflação mundial, iniciada com a fuga de todas as moedas para bens reais de toda natureza. Será comprado tudo aquilo que possa ter algum valor, pois a quantidade de dinheiro que existe para ser salva é enorme.

Três ovos custarão então 100 bilhões de unidades monetárias, como lá no Zimbabwe?

Primeiramente o dinheiro tentará ir para o ouro e prata, mas já hoje existe uma insuficiência no seu fornecimento, embora o “preço mostrado” seja sempre pressionado. Esta manipulação do mercado é a única que ainda funciona corretamente. Mas isso também irá sucumbir.

Esta notícia do Telegraph deve ter abalado os manipuladores de preço: “Merril Lynch says rich turning to gold bars for safety”:

Merrill Lynch has revealed that some of its richest clients are so alarmed by the state of the financial system and signs of political instability around the world that they are now insisting on the purchase of gold bars, shunning derivatives or “paper” proxies.
“They are so worried they want a portable asset in their house. I never thought I would be getting calls from clients saying they want a box of krugerrands,” he said.

Portanto está chegando a hora do “Big Money” ir para o ouro. Até agora foram poucos, mas no momento em que os “preços visíveis” (na realidade paga-se já mais de $100onça) aumentarem, acontecerá uma fuga em massa. Finalmente os “ricos” perderam muito em 2008 e com certeza não irão querer perder o resto de sua fortuna. Esta notícia é uma amostra de que o rompimento do ouro está próximo.

Os juros não poderão ser mais então mantidos em 0% (como Heli Ben). Da mesma forma não será tão fácil proceder com os salvamentos como o hábito atual.

Aqui uma interessante comparação com a república de Weimar, após a Primeira Guerra Mundial: “The Year Ahead: 2009”:

Isn t the destruction of wealth we have seen of late deflationary? Well, yes and no (it s a complex question), but consider Eric deCarbonnel s description of hyperinflation s onset in Germany s Weimar Republic , with interesting detail on the path and timing of the disaster:
“As an example of deflation leading to hyperinflation, consider the case of the Weimar Republic . In 1920, Germany experienced a deflationary collapse, with the average citizen finding it harder and harder to get enough money for necessities. Banks, short of money, could not honor checks, and businesses were strapped for cash to buy materials and meet payroll. Fearing a collapse that would throw millions of workers out on the street, the German government desperately printed money in an attempt to re-inflate the economy. During this period, despite the government s money printing, the mark actually gained in value against foreign currencies, so that prices of imported goods fell by some 50%.
“Eventually, as a result of the money supply s rapid expansion, the nation s massive foreign debt, and the shrinking economy, German citizens lost all confidence in their currency, and the Weimar Republic experienced one of the worst cases of hyperinflation in modern economic history. Billions of hoarded marks came out of hiding and entered the marketplace.”

O autor compara o período atual com 1920, onde havia também na Alemanha um “período deflacionário” – como agora. Mas a contínua impressão de dinheiro havia superado isso. Então vieram os bilhões de Marcos das contas para os bens reais. A hiperinflação começou para valer a partir de 1921. Hoje é semelhante, se bem que não temos bilhões, mas sim trilhões que devem ser salvos.

Do mesmo artigo, sobre quando acontecerá:

“When the bond market crashes [expected timing: any day now ], it s going to be 15 on the Richter scale. It s going to be enormous. It s far more dangerous than the stock market crashing. When the bond market crashes, the hyperinflation starts.” ~ Bob Moriarty of 321gold.com

Assim que os títulos públicos desabarem, especialmente aqueles do tesouro norte-americano. Bob Moriarty promete então um terremoto de escala 15 (meu colapsômetro vai até 11) – em todo o sistema financeiro.

A conseqüência deste desmoronamento dos Bonds

A conseqüência de tal Bond-Crash já foi vista frequentemente: a derrocada total do Estado e da economia. Por último na Islândia, onde as ações afundaram para 4% – a maioria delas após o crash da moeda e dos Títulos Públicos.

Quando acontecerá. A qualquer momento, mas não é possível dizer exatamente quando. Provavelmente ainda no primeiro trimestre de 2009. O bando de macacos tentará com certeza fugir ainda mais rápido destes títulos, da mesma forma como eles a poucas semanas entraram.

As moedas não serão mais aceitas internacionalmente. Exemplo:

Carta do leitor – Alemanha – Experiência com o Forint húngaro
Prezado sr. Eichelburg, eu estive em meu banco (Sparkasse Wasserburg, Bavária) e quis trocar 17.000 Forint (65 euros); após longa procura no computador, o funcionário me disse: “sinto muito, nós não compramos mais esta moeda, devido à situação política”. Como eu sigo com interesse sua página hartgeld.com, eu pensei que isso poderia lhe interessar. Hungria é sim um páis da União Européia e por isso o banco deveria trocar o dinheiro, não???

Ninguém, nem a EU, ou qualquer banco, pode forçar alguém a aceitar uma moeda falida. Com isso a Hungria foi “salva”.

Nós podemos supor que tal situação chegará ainda no primeiro semestre de 2009 nos EUA e na área do Euro. Então começará para valer a crise. Ao contrário da Hungria, ninguém poderá salvá-los, pois não existe algo maior para fazê-lo – “tôo big to bail”.

Os países atingidos têm então duas possibilidades:

A) Eles permitem o crash e tentam salvar a moeda (que mesmo assim cai). Isso significa aumento maciço dos juros (veja Islândia, Hungria) para atrair novamente o dinheiro, sem salvamentos ou outra medida salvadora ao custo do Estado; para isso uma drástica redução das despesas públicas.

B) Eles não permitem o crash e monetarizam todos os títulos vendidos. A moeda afunda para o fundo do poço e torna-se rapidamente inconversível. Acaba-se então a importação.

É presumível que o caminho b. seja escolhido; as medidas de salvamento serão amplificadas, pois o medo dos governantes ante uma revolta popular é grande. Isso aponta também a formação da equipe do novo presidente norte-americano Barak Obama – os grandes de Wall Street.

O que devemos esperar de concreto em 2009

Assim que o Bond-crash chegar, nós devemos contar com o seguinte:

– Total colapso do comércio mundial, pois o Dólar e o Euro não serão mais aceitos
– Maciça escassez de importantes e importados bens materiais
– Aumento maciço dos preços dos bens de consumo essenciais – eles vão com o ouro, hiperinflação
– Queda total dos preços das ações, títulos, imóveis e bens de luxo
– Os bancos entram em real colapso
– Limite de saque nos bancos e controle das divisas
– Ampla perda do valor dos bens
– Ainda maior desemprego e falência de empresas
– A economia fica paralisada, pois diversos fornecedores desaparecem e o trânsito de dinheiro entra em colapso
– total empobrecimento das massas
– Estados heterogêneos quebram
– Implodem as estruturas supranacionais, como a EU e o Euro

Um detalhamento exato desta situação é matéria para próximos artigos meus e de outros autores. Alguns, como sr. Brumme, já está disponível para download em www.hartgeld.com.

Ninguém deverá dizer que isso seja novidade. Tudo já aconteceu, também entre nós. Veja o exemplo do Zimbabwe.

Aqui ainda um bom artigo de Eric Sprott: Surviving the depression

Walter Eichelburg, Engenheiro.

O autor do artigo não é um consultor financeiro, mas sim um investidor em Viena – NR.

Fonte: Inacreditavel

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Uma resposta

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  1. […] dos títulos e da moeda de uma país. E o run chegará também aqui. … Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: […]


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