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Phelps, Soros e Stiglitz pouco confiantes no Plano de Obama

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 31/01/2009

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O célebre investidor George Soros, bem como Edmund Phelps e Joseph Stiglitz, laureados com o Nobel da Economia, não depositam grandes esperanças no plano de Barack Obama de combate à recessão nos Estados Unidos.

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Segundo Phelps (na foto), que é professor na Universidade de Columbia e foi galardoado com o Nobel da Economia em 2006, o presidente norte-americano deveria ter proposto um pacote de estímulo “mais coerente” para lutar contra a recessão no país. Já George Soros advoga que o plano da Administração Obama de comprar activos tóxicos da banca norte-americana não será suficiente para que as instituições financeiras comecem de novo a flexibilizar a concessão de crédito.

“Não será essa medida que vai inverter a situação e permitir que os bancos comecem de novo a emprestar dinheiro”, comentou Soros em Davos, numa entrevista à Bloomberg TV. “Isso será nacionalizar a dívida e manter os lucros nas mãos privadas”.

Edmund Phelps não se mostra mais confiante do que Soros, apontando a falta de uma maior coerência no plano de relançamento proposto pela Administração dos EUA. Muitos dos novos programas de injecção de capital estão a ser criticados pelo facto de só arrancarem em larga escala daqui a um ano ou dois, referiu o economista, também em entrevista à Bloomberg TV.

Phelps, que também está em Davos, considera que seria muito melhor dispor de um programa mais específico e mais coerente.

Recorde-se que a Câmara dos Representantes vai pronunciar-se hoje sobre o pacote de estímulo financeiro proposto por Obama, no valor de 816 mil milhões de dólares e escalonado para dois anos, e que se destina a fazer sair a economia norte-americana da recessão.

Phelps afirmou que as propostas feitas pelos responsáveis governamentais dos EUA e pelos órgãos reguladores da banca no sentido de se criar o chamado “banco de crédito malparado”, com o objectivo de comprar activos tóxicos da banca, fazem “muito mais sentido” do que o Troubled Asset Relief Program (TARP), posto em marcha ainda sob a Administração de George W. Bush, que foi uma “tarefa descomunal”.

“Comprar esses activos, colocá-los numa plataforma e depois vendê-los no mercado ao preço que o mercado quiser pagar por eles faz muito mais sentido”, acrescentou. “O problema com o TARP é que a legislação em torno desse programa visava que o governo definisse à partida o valor de cada activo dos bancos, o que se tratava de uma incumbência desmedida”, salientou.

Por seu lado, Joseph Stiglitz, que recebeu o Nobel da Economia em 2001, referiu que o plano de estímulo financeiro deveria incluir reduções de impostos mais focalizadas no investimento do que no consumo.

“Precisamos de mais investimento. E podemos ir buscar grande parte desse investimento ao segmento das reduções de impostos para os consumidores”, afirmou em entrevista à Bloomberg TV.

Com efeito, uma das críticas que têm sido feitas a este plano é que as reduções de impostos que beneficiarão os consumidores poderão levá-los a poupar esse dinheiro, em vez de o investirem, dada a crise económica que se vive.

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Líderes Europeus propõem conselho econômico das Nações Unidas buscando uma nova ordem mundial

Posted in Crise, Nova Ordem Mundial by Blog Juízo Final on 31/01/2009

SWITZERLAND WORLD ECONOMIC FORUM

Angela Merkel propõe conselho econômico das Nações Unidas A chanceler alemã Angela Merkel propôs hoje em Davos, Suíça, a constituição de um conselho econômico das Nações Unidas à imagem do conselho de segurança, no quadro de uma carta sobre uma nova ordem mundial.

Os especialistas reunidos no Fórum Econômico Mundial desta cidade suíça, tradicionalmente defensores do neoliberalismo, consideram que agora é necessária a intervenção do Estado para estabilizar o sistema financeiro e as economias.

A maior parte dos líderes econômicos e políticos tem coincidido em sublinhar que apenas a intervenção estatal, especialmente nas economias avançadas, permitirá evitar o colapso do sistema financeiro e econômico e contribuirá para restaurar a confiança.

Os erros foram atribuídos a gestão de risco, de supervisão e de governo corporativo. Ao mesmo tempo advogam uma coordenação política global para se estabelecerem estímulos fiscais para que tenham efeito, segundo os especialistas. Nesse sentido, o economista chefe do Banco Mundial, Justin Yifu Lin, disse que “o estímulo fiscal não funcionará se apenas um único país o adoptar.

Devemos ter uma aproximação coordenada, implementada pelas economias industrializadas e as emergentes”. Por exemplo, o governo da chanceler alemã, Angela Merkel, aprovou na terça-feira o maior pacote de estímulo da economia desde a Segunda Guerra Mundial, no montante de 50 mil milhões de euros (65 milhões de dólares) e que criará o maior défice desde o pos-guerra.

O investidor norte-americano de origem húngara George Soros também se mostrou partidário da intervenção estatal como “medida de emergência e temporária”. Soros considera que a magnitude da crise financeira global é maior que a dos anos 1930 e que é necessário que o Estado intervenha para salvar os bancos porque o sector privado não pode fazê-lo.

Brown quer criar um sistema de supervisão financeira mundial

aleqm5gmlsahpob60uqzldfhbvcalm-bxgO primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu nesta sexta-feira, em Davos, a criação de um sistema de supervisão financeira mundial, visando a reunião do G20 sobre a crise econômica que será realizada em 2 de abril, em Londres.

“Temos um sistema financeiro internacional, mas não um de coordenação ou de supervisão mundial, apenas supervisores nacionais”, declarou Brown em coletiva conjunta com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante o Fórum Econômico Mundial.

Brown também afirmou que uma das prioridades seria a criação de um sistema de alerta rápido em todos os continentes e substituir a “atual regulação harmoniosa”.

Fonte: Diário Digital