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Crise Mundial: A “pressão do sistema econômico” falência é eminente

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 20/02/2009

walter_eichelburg

Walter Eichelburg, Engenheiro.

A depressão avança mundo afora mais e mais na economia real. Os pedidos entram em colapso, e com isso explode o número de desempregados. Todavia, os países do Ocidente conseguiram ainda manter os bancos e eles mesmo não entrarem em falência.

Mas isso deve mudar agora. Grandes países como até a Grã-Bretanha parecem estar “acabados”. Mesmo os EUA e Alemanha em girar sua “vaca super-sagrada”, os títulos públicos. Para complicar, o preço do ouro sobe a longos passos, pois os ricos se garantem.

Tudo aponta que a pressão de correção do sistema tornou-se muito grande, e logo devemos contar com uma terrível explosão: falência também dos países ocidentais e suas divisas.

A “panela de pressão”

Ao longo das décadas foi formada uma enorme “pressão de crédito”. Cada recessão foi combatida com novos créditos. Como agora, mais uma vez. Em casos normais, juros baixos e déficit público elevado contribuíram para que, após alguns trimestres de recessão, tenha começado novamente a concessão de crédito e então a conjuntura. Ao todo isso levou a um inédito recorde de endividamento mundo afora.

 

Desta vez é diferente: diminuição recorde dos juros e gastos públicos recordes não provocam mais o efeito desejado; por toda a parte a economia entra em depressão (definido como uma retração real de pelo menos 10%). O motivo é bem simples: a última “injeção de ânimo” por volta de 2002 foi a última possível. Entrementes, o endividamento aumentou radicalmente. Apesar de todas as tentativas, isso não vai funcionar mais uma vez. É uma característica do “Inverno de Kondratieff”, onde a montanha de dívida tornou-se tão grande e as dívidas são desmontadas – independente daquilo que políticos e banqueiros façam. Aconteceu a mesma coisa também na década de 1930.

Sempre mais “pressão de crédito”

Conseguiu-se até o presente uma reanimação da expansão natural de crédito através dos bancos com as tentativas de reflação, isso não será mais possível agora. Diferentes categorias de crédito estão mortas desde o início da crise real no verão de 2007: como os Junk bonds e o mercado de crédito interbancário.

Por isso vieram os bancos centrais e tomaram dos bancos uma parte de seus papéis podres a troco de dinheiro novo: simplesmente “monetarizou”-a (transformaram em dinheiro). Especialmente os balanços do FED e do BCE explodiram desde o verão de 2008. Entrementes isso não é mais suficiente, os países devem atuar para salvar os bancos, onde eles despejam dinheiro, privatizem os bancos ou assumam garantias.

 

O banco de hipotecas bancárias Hypo Real Estate (HRE) já recebeu € 103 bilhões do Estado alemão, sem estar saudável. Tudo isso são sacos sem fundo.

No momento os prognósticos apontam para os EUA em 2009, US$ 3.000 bilhões de déficit estatal (sem contar com o acordado programa conjuntural). Tanta poupança disponível não existe no mundo todo para poder financiar tal empreitada. Na Europa não é diferente. Países, como por exemplo a Irlanda ou a Grã-Bretanha, prevê em 2009 um déficit público de 13% do produto interno bruto (PIB). Na realidade, estes déficits são muito mais elevados devido à bancarrota da arrecadação de impostos.

Estas somas só podem ser “impressas”

Pode-se supor que uma grande parte dos assim chamados “pacotes de salvamento bancário”, enviados pelos países ocidentais em 2009, estão esgotados: na Alemanha, €500 bi; na Áustria, €100 bi. Somente para a Europa e EUA pode-se considerar provavelmente déficits estatais na ordem de 6 a 10 trilhões de dólares. Não existem poupanças nesta ordem de grandeza que se possa emprestar.

Ou seja, os novos títulos públicos irão para o banco central, o qual então “imprime” dinheiro (eletronicamente). Eles monetarizam então. E isso cria hiperinflação.

Não é de se esperar que a atual elite política e bancária irão jogar a toalha, pois isso seria seu fim. Revoluções seriam as conseqüências. Essa impressão de dinheiro também é uma mera tática protelatória contra o próprio desmoronamento.

“Near Misses”

De tempo em tempo aparecem coisas surpreendentes. Queda do sistema financeiro que foi suspensa mais uma vez. Aqui alguns exemplos:

A 10 de outubro de 2008, Londres:

“Revealed: Day the banks were just three hours from collapse”

Britain was just three hours away from going bust last year after a secret run on the banks, one of Gordon Brown s Ministers has revealed.

City Minister Paul Myners disclosed that on Friday, October 10, the country was very close to a complete banking collapse after major depositors attempted to withdraw their money en masse.

The Mail on Sunday has been told that the Treasury was preparing for the banks to shut their doors to all customers, terminate electronic transfers and even block hole-in-the-wall cash withdrawals.

Only frantic behind-the-scenes efforts averted financial meltdown. If the moves had failed, Mr Brown would have been forced to announce that the Government was nationalising the entire financial system and guaranteeing all deposits.

Insider sacaram em grande estilo dinheiro dos bancos britânicos. Dentro de 3 horas os bancos estariam acabados, caso o governo não tivesse intercedido imediatamente.

A 18 de setembro de 2008, EUA:

“How The World Almost Came To An End At 2PM On September 18”

On Thursday (Sept 18), at 11am the Federal Reserve noticed a tremendous draw-down of money market accounts in the U.S., to the tune of $550 billion was being drawn out in the matter of an hour or two. The Treasury opened up its window to help and pumped a $105 billion in the system and quickly realized that they could not stem the tide. We were having an electronic run on the banks. They decided to close the operation, close down the money accounts and announce a guarantee of $250,000 per account so there wouldn t be further panic out there.

If they had not done that, their estimation is that by 2pm that afternoon, $5.5 trillion would have been drawn out of the money market system of the U.S., would have collapsed the entire economy of the U.S., and within 24 hours the world economy would have collapsed. It would have been the end of our economic system and our political system as we know it.

Este acontecimento no mercado financeiro foi muito pior; aqui também foi por um fio. Se fosse de outra forma, o sistema bancário norte-americano teria entrado em colapso imediatamente e o sistema bancário mundial em menos de 24 horas. Também o sistema político.

Novamente aconteceu um Bank-Run pelos insiders; novamente ele foi impedido através das garantias estatais. Logo depois seguem as garantias normais para todos os investimentos bancários através de diferentes governos. Somente assim foi possível parar – na forma onde os Estados foram jogados na panela de pressão como fiadores – por assim dizer como gelo; isso deveria abaixar a temperatura.

Quando acontecerá um ataque que não possa ser mais corrigido, que romperá?

O próximo “ataque” vem da economia real

O gráfico abaixo de Casey Research mostra a queda certa da economia real e do comércio mundial. Este comércio caiu no último ano cerca de 40%; a produção industrial mundial cerca de 12%.

Provavelmente estes números também não provêm mais do início de fevereiro de 2009, pois existe sempre um lapso de tempo nos relatórios destas cifras. Podemos partir do pressuposto que estes números reflitam a situação do final de 2008; entrementes as cifras podem ser mais baixas ainda, pois a situação se desenvolve rapidamente. As exportações e importações da China caíram cerca de 40%; no Japão a economia encolheu cerca de 12%. Nos EUA, Grã-Bretanha, Irlanda e Espanha a coisa não está melhor.

As conseqüências:

– as arrecadações de impostos dos países entram em colapso
– os gastos dos países para salvamento, desempregados etc explodirão
– falência em massa das empresas
– quase nenhum crédito estará disponível para as empresas, pois tudo é incerto

– créditos atuais deverão ser contabilizadas, e isso piorará a situação dos bancos ainda mais “Insalvável”

O que circula na comissão européia e nos governos:

“Altamente secreto: papéis podres na casa de 18,1 trilhões de Euros nos bancos ocidentais”

17 folhas perfazem um documento classificado como “Altamente secreto” pela comissão européia em Bruxelas, onde a verdade crua e nua sobre a situação econômica desoladora do sistema financeiro é descrita. Segundo ele, existem no momento nos bancos europeus papéis podres ou encalhados na ordem de 18,1 trilhões de Euro. Não são bilhões, não – trilhões. 44 por cento de todos os ativos dos bancos europeus são “podres” neste momento.

O britânico Telegraph pôde espiar estes papéis e reportar a esse respeito. Mais tarde, o relatório teve que ser alterado (por pressão dos políticos); o link da internet ainda mostra esta soma.

Como dito, estas são as perdas do balanço dos bancos europeus, 44% de seus papéis e créditos ou não têm qualquer valor ou quase não têm valor. Ou seja, tenta-se alterar as regras contábeis para continuar a mascarar a situação.

A verdade: não há esperança

O desmoronamento da economia real contribui para que a situação dos bancos e dos países piore drasticamente.

Os bancos são há muito tempo “too big to bail” – muito grandes para salvá-los. Eles levarão os Estados consigo – logo.

O ataque através do ouro

Teoricamente em um sistema “Fiat-Money-Szstem” como o nosso, qualquer banco e qualquer país pode ser salvo, até mesmo com grandes somas – enquanto o proprietário do capital permanecer no sistema. Assim que ele fugirem, começa a hiperinflação, as divisas logo não serão mais aceitas, elas serão inconvertíveis e com elas não se consegue importar mais nada. Os preços para todos os bens necessários explodirão. Somente os mais dependentes deverão aceitar ainda as moedas; todos os outros mudarão para uma “melhor dinheiro”. Esta é a “fronteira natural da impressão de dinheiro”.

O problema é que praticamente todas as grandes divisas como o dólar, euro, libra, franco suíço e yen estão sendo impressos maciçamente. Só se pode mudar para fora do sistema; isso acontece agora.

Segue abaixo o preço do ouro em dólar norte-americano e euro do último mês:

Em dólar, ele aumentou mais de $100/onça; em euro até €110/onça. Isso é um lendário desempenho se pensarmos que no mesmo período o Index do Dow Jones e os títulos de 30 anos do Tesouro norte-americano (Treasury Bonds) perderam cerca de 10% em valor.

Não é de se estranhar que os ricos migram agora para o ouro.

O “Big Money” vai para o ouro

Aqui alguns artigos que foram publicados semana passada em hartgeld.com:

 

Eu trabalho em um grande banco alemão. Nos chamados Private Banking de nossa casa, o clientes ricos são recomendados a comprar ouro em espécie – Carta do Leitor

Feb. 10 (Bloomberg) — U.S. pension funds are among a growing number of money managers inquiring about investing in gold, a trend that helped almost double the bullion held in the nation s largest exchange-traded precious-metal fund in the past two years, the World Gold Council said.

A crise econômica e o seguro nos mercados financeiros levam a um verdadeiro Run em metal nobre. Comerciantes de ouro anunciam gargalos no fornecimento, refinarias de ouro funcionam a todo o vapor, e a cada notícia negativa sobre a economia aumenta a procura. – SF

Investors are buying record amounts of gold bars and coins, shunning risky assets for the relative safety of bullion amid renewed fears about the health of the global financial system.

The move into gold is being driven by the very rich, with bankers saying that some clients are hoarding gold in their vaults. UBS and Goldman Sachs said last week that investor hoarding would drive prices back above $1,000 an ounce. On Monday gold was trading at $892 an ounce.

Jonathan Spall, director of commodities at Barclays Capital in London, said: “We have seen more new enquiries about investing in gold so far this year than during the whole 2008.” – FT

 

Com isso a coisa é clara: começou um novo Run ao ouro, levado a cabo pelos mais ricos. Estes têm praticamente meios ilimitados para comprar todo o ouro que existe no mundo. Primeiramente são os ricos no ocidente. Índia e Oriente Médio estão fora no momento (suas dívidas pressionam enormemente).

Apesar de todas as tentativas dos bancos centrais, o preço do ouro não se deixa mais abafar, a procura é muito grande. Um comerciante alemão de metais preciosos me disse que a procura por ouro e prata está três vezes maior atualmente, como no recorde do mês de outubro de 2008. Aparecem também “grandes pedidos” como, por exemplo, uma tonelada de prata. As empresas também investem maciçamente nos metais preciosos.

Com o ouro a $1.000/onça, a tampa explodirá

Não é só o preço do ouro que aumenta. O preço dos metais industriais, prata, cobre, e o petróleo também aumentam. E isso apesar da procura industrial ter recuado. A era a partir do verão de 2008 (verão europeu), onde os macacos investidores se deixaram caçar com os títulos do tesouro, já passou. Os juros dos títulos públicos, também dos norte-americanos e alemães aumentarão novamente. Simultaneamente caem o curso das ações. Tudo indício de que começou a fuga por parte do Big Money dos papéis em ativos reais.

 

Como mostrado em meu último artigo – Fase três da crise – eu sou da opinião que o ouro tem com $1.000/onça sua marca crítica, onde a fuga para o ouro começa de verdade. Pois aqui começa o medo de perder nos títulos e ainda a ganância em lucrar. A melhor combinação que existe no universo dos investidores. Uma movimentação em massa inicia-se.

Então tornar-se-á muito difícil para os governos e bancos centrais salvar a si próprios. Pois os juros deverão então ser aumentados significativamente para evitar uma fuga do capital do sistema. Juros altos são absolutamente mortais. Só é necessário observar a Hungria ou a Islândia; lá foi necessário aumentar os juros após a desvalorização da moeda.

Os Estados e os grandes bancos desmoronarão juntos

Assim como aconteceu na Islândia, Letônia, Hungria ou agora a Ucrânia. Os primeiros candidatos na área do euro devem ser a Irlanda e a Grécia, então a Espanha, Itália, Áustria. Por último provavelmente a Alemanha. Tudo isso acontecerá no primeiro semestre de 2009, juntamente com a falência dos EUA. Isso levará também o euro para o fundo do poço.

Somente então a população irá querer ver que suas poupanças sumiram, e seus empregos também. Mas então é muito tarde. Iniciar-se-á uma caçada às bruxas aos políticos, vide Islândia.

Como sempre as pessoas serão ludibriadas até o último minuto, e elas querem ser ludibriadas.

 

 

Fonte: Inacreditável

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Uma resposta

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  1. What Is A De Novo Bank said, on 21/02/2009 at 18:38

    This is such a great article . read me article
    What Is A De Novo Bank


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