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Crise Mundial: China perde mais de US$ 80 bi em reservas cambiais

Posted in Crise by Blog Juízo Final on 17/03/2009

icpstkg04210209193121photo00PEQUIM – A China perdeu mais de US$ 80 bilhões de suas reservas de câmbio em investimentos realizados antes do desabamento dos mercados financeiros ano passado.

Segundo o jornal econômico Financial Times (FT), as perdas, que teriam sido registradas pela Administração Estatal de Câmbio (Safe, na sigla em inglês), representam a metade do que possuía em ações no exterior, segundo o FT, que citou Brad Setser, um economista do Council on Foreign Relations, um dos principais centros de pesquisas de política internacional dos EUA.

A Safe, que administra cerca de US$ 2 trilhões, começou a fazer apostas enormes nos mercados internacionais em 2007 e sua estratégia de diversificação durou pelo menos até o colapso dos grupos norte-americanos Freddie Mac e Fannie Mae, em julho passado, explicaram ao jornal analistas e fontes próximas a esta administração chinesa.

Segundo o Financial Times, é impossível saber quanto exatamente a Safe perdeu.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, manifestou preocupação sexta-feira com os ativos chineses investidos nos EUA, devido ao impacto da crise financeira.

Ele pediu a Washington que garanta a segurança destes investimentos. Na tentativa de acalmar os temores, o presidente americano Barack Obama disse sábado que a China pode ter absoluta confiança na economia americana.

A China é o primeiro credor dos EUA e possuía, em dezembro, US$ 727,4 bilhões em bônus do Tesouro, segundo dados oficiais do governo norte-americano.

Diminui o interesse chinês pelos títulos americanos

A China comprou mais de US$ 1 trilhão em títulos americanos, mas enquanto o declínio econômico global se deteriora, Pequim começa a manter mais de seus recursos em casa, uma iniciativa que pode ter efeitos adversos para os tomadores de empréstimo americanos.

O cada vez menor apetite chinês pelos títulos americanos tem-se manifestado por meio de uma série de insinuações de autoridades chinesas nas últimas duas semanas, e ante a divulgação das estatísticas oficiais, marcadas para os próximos dias, chega num momento inconveniente.

Na terça-feira, o presidente eleito Barack Obama projetou déficits de trilhão de dólares “Nos próximos anos”, mesmo depois do pacote de estímulo de US$ 800 bilhões. Normalmente, a China seria a tomadora mais ávida da dívida necessária para pagar esses déficits, principalmente notas do Tesouro de curto prazo, que são notas promissórias do governo.

Nos últimos cinco anos, a China gastou um sétimo de toda sua produção econômica na compra de dívida externa, sobretudo americana. Em setembro, superou o Japão como maior detentor estrangeiro de notas do Tesouro americano.

Só agora, Pequim procura pagar pelo seu próprio pacote de estímulo de US$ 600 bilhões – logo quando a renda fiscal registra queda abrupta e a economia chinesa perde o ritmo. Os reguladores ordenaram para os bancos emprestar mais dinheiro para as empresas de pequeno e médio porte, muitas das quais estão às voltas com volumes de exportação menores, e para os governos locais construírem novas rodovias e outros projetos.

“Todos os principais condutores de compras de notas do Tesouro da China estão desaparecendo – há um apetite cada vez menor por notas do Tesouro, e isso complica a perspectiva para as taxas de juros”, disse Ben Simpfendorfer, economista do escritório de Hong Kong do Royal Bank of Scotland.

A agência de notação de risco de crédito Fitch Ratings prevê que as reservas cambiais da China crescerão em US$ 177 bilhão este ano – um grande número, mas bem abaixo da estimativa de US$ 415 bilhões do ano passado.

A demanda voraz da China por bônus americanos tem ajudado a manter as taxas de juros baixas para os tomadores de empréstimos que vão do governo federal aos compradores de residências. O entusiasmo reduzido da China para comprar bônus americanos vai reduzir esse efeito moderador.

Pelo momento, parece haver uma escassez de compradores para os bônus do Tesouro e outros instrumentos de dívida enquanto os investidores fogem da incerteza econômica global para a estabilidade da dívida do governo americano. É por isso que as taxas de retorno dos bônus do Tesouro afundaram para baixas recordes. (Quanto mais os investidores querem notas e bônus, menor é a taxa de retorno, e as taxas de curto prazo estão próximas de zero).

Se a China usar seus recursos para aumentar o padrão de vida do povo, e os Estados Unidos se tornarem menos dependentes de um credor, as conseqüências de longo prazo podem até ser positivas. Mas esse reequilíbrio deve ocorrer gradualmente para não prejudicar o valor dos bônus americanos ou das imensas posições da China.

Outro perigo é que os investidores vão exigir retornos mais elevados para deter papéis do Tesouro, o que colocará pressão sobre o governo americano para elevar as taxas de juros que esses papéis pagam. À medida que as taxas de juros sobem, elas exercerão pressão sobre as taxas de juros que outros tomadores de empréstimo pagam.

Quando e como tudo isso vai ocorrer não se sabe. O que está claro é que o impacto do declínio global sobre as finanças da China tem sido dramático, e repercute nas decisões do governo chinês relacionadas aos seus recursos.

As receitas fiscais do governo central dispararam 32% em 2007, quando as fábricas de toda a China operavam a toda velocidade. Mas quando chegou novembro, as receitas do governo haviam caído 3% em relação a igual período do ano anterior. Isso induziu o ministro das Finanças, Xie Xuren, a advertir na segunda-feira que 2009 será “um ano fiscal difícil”.

Um importante membro do banco central, Cai Qiusheng, disse pouco antes do Natal que as reservas cambiais de US$ 1,9 trilhão da China na verdade começaram a encolher. As reservas – sobretudo compostas de bônus emitidos pelo Tesouro, Pela Fannie Mae e pela Freddie Mac – na maior parte subiram rapidamente desde a crise asiática em 1998.

O vigor do dólar ante o euro no quarto trimestre do ano passado contribuiu para o crescimento mais lento das reservas cambiais da China, disse Fan Gang, conselheiro acadêmico do banco central da China, numa conferência em Pequim na terça-feira. O banco central mantém registro do valor total de suas reservas em dólares, então o euro desvalorizado significa que os ativos denominados em euro valem menos do que dólares, decrescendo o valor total das reservas.

Mas o ritmo do acumulo de reservas da China começou a diminuir no terceiro trimestre, junto com a desaceleração da economia chinesa, e parece refletir mudanças mais amplas.

A China administra suas reservas com considerável sigilo. Mas os economistas acreditam que 70% são denominadas em dólares e a maior parte do restante em euros.

A China financiou suas imensas reservas exigindo efetivamente que todo o setor bancário do país, que é controlado pelo Estado, a pegar um quinto de seus depósitos e entregá-los para o banco central. O banco central, por sua vez, tem usado o dinheiro para comprar bônus estrangeiros. O banco central está no momento reduzindo rapidamente essas exigência e pressionando os bancos a emprestar mais dinheiro na China.

Referências:

Gazeta Mercantil

DCI

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