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Crise Mundial: Espanha teme seguir Grécia e enfraquecer ainda mais o euro

Posted in Crise, Fim do Dólar, Fim do Euro, Nova Ordem Mundial by Blog Juízo Final on 26/05/2010

Continua o temor nos mercados financeiros de que o euro despenque ainda mais. A cada plano de salvação numa capital europeia, surge o próximo da fila. Onda de fragilidade financeira assola a UE.

Depois do pacote de salvação da Grécia, no valor de 120 bilhões de euros, e das medidas de proteção do euro, no montante de 750 bilhões de euros, “a Europa tem que apertar os cintos o máximo possível”, declarou Olli Rehn, comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia (UE), durante o Fórum Econômico de Bruxelas nesta terça-feira (25/05).

“A tendência que irá se impor em toda a Europa será a de redução de gastos e de duras reformas estruturais”, ressalta o comissário. Isso enquanto o euro cai ao nível mais baixo registrado nos últimos oito anos.

Pouco antes da intervenção estatal na CajaSur, instituição de poupança espanhola, temia-se que Madri pudesse seguir o caminho de Atenas. E que a onda não acabasse aí, porque, mesmo que a instituição em questão seja pequena, a intervenção deixa clara a debilidade do setor e alimenta a dúvida se mais bancos irão também necessitar de ajuda.

Plano de austeridade

A Espanha apresentou seu plano de austeridade, que prevê uma redução de gastos da ordem de 15 bilhões de euros para o período 2010-2011, com cortes nos vencimentos do setor público e o congelamento de aposentadorias. Enquanto isso, paira no ar se ao “caso grego” seguirá o “caso espanhol”.

“Os mercados financeiros estão muito inquietos porque não sabem se há outros países na Europa também extremamente endividados. Os mercados financeiros necessitam de uma visão a longo prazo, mas não a temos”, explica à DW-WORLD Dennis Snower, presidente do Instituto de Economia Mundial, sediado em Kiel.

Mesmo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenha, em relatório recente apresentado em Madri, aplaudido as “medidas ambiciosas” para reduzir o déficit fiscal espanhol, o órgão adverte que essa redução tem que ser acompanhada de reformas estruturais, como, por exemplo, no mercado de trabalho.

Apesar de toda a crise, o déficit orçamentário da Espanha diminuiu nos primeiros meses de 2010. “O FMI quer, no momento, criar uma regra para a cota de endividamento”, afirma Snower, para quem o melhor seria, no entanto, que cada país implementasse uma comissão fiscal reguladora de endividamentos. “Com isso, os mercados financeiros ficariam mais tranquilos”, opina o economista.

Da recessão à depressão?

“Tenho medo. Se países como a Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda se veem obrigados a tomar medidas drásticas para regular seus orçamentos, suas economias poderão passar de uma recessão a uma depressão. Isso poderá causar mais danos ainda ao euro”, diz Snower, no mesmo dia em que o Reino Unido usava a crise do euro, moeda não adotada pelo país, para legitimar os planos de austeridade anunciados pelo governo em Londres.

“O ponto vulnerável na Europa é que temos uma regra para o endividamento. A dívida pública pode subir até o marco do Pacto de Estabilidade, que é de 60% do PIB. O que não temos é um mecanismo que implemente essa estabilidade”, explica Snower.

Comissão reguladora

A criação de uma comissão encarregada de regular a dívida pública é, para o economista, uma instância que deveria ser criada em cada país e com urgência: “Algo parecido aconteceu nos anos 1980, quando tivemos uma inflação extremamente alta. Foram criados bancos centrais independentes, que tinham como objetivo combater a inflação”, lembra Snower.

E neste ínterim, unindo-se à “onda que assola toda a Europa”, como definiu o comissário Olli Rehn, a Itália também anunciou cortes orçamentários a fim de minimizar a especulação sobre os mercados vulneráveis da zona do euro.

“Se tivéssemos uma comissão de endividamento, que tivesse como objetivo manter a cota da dívida pública onde ela deveria ficar, o problema estaria resolvido. Esta é a solução: essa comissão tem de ser implementada”, sugere Snower com persistência.

Autora: Mirra Banchón (sv)

Revisão: Roselaine Wandscheer

Fonte:  DW-WORLD.DE

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Crise Mundial: Crescem os temores de que os bancos globalizem a crise do euro

Posted in Crise, Fim do Dólar, Nova Ordem Mundial by Blog Juízo Final on 26/05/2010

France Presse

Publicação: 25/05/2010 16:20

Depois de meses de crescimento débil, aumentam os temores de que a recuperação da economia mundial fracasse por causa de uma crise da dívida originada em um rincão da Europa.

No começo, os investidores expressaram preocupação moderada com os acontecimentos de Atenas. A notícia de que a Grécia havia maquiado o alcance de seu déficit resultou num aumento do custo de sua dívida e alguns gestos de assombro na sede da União Europeia, em Bruxelas. Mas, com a queda das bolsas nas últimas semanas e com o euro em picada em relação ao dólar, a preocupação começa a se transformar em pânico apenas disfarçado.

Respeitados comentaristas começam a multiplicar alertas na internet sobre um obscuro problema da dívida que ameaçaria resultar numa outra Grande Depressão.

Se o plano de quase 1 trilhão de dólares não conseguir acalmar o mercado, “o crescimento do PIB dos Estados Unidos poderia ver-se reduzido entre 0,5 a 1% nos próximos dois anos”, advertiram analistas do Deutsche Bank a seus clientes. “Se o programa de resgate fracassar completamente, estaríamos ante uma perspectiva potencialmente mais negativa, com possibilidade certa de uma recessão em formato de W”, de fundo duplo.

Risco bancário

As características da crise atual são similares à última, que aponta para o sistema financeiro, e para os bancos em particular.

Daniel Tarullo, membro do conselho de governadores do Federal Reserve americano, evocou recentemente a eventual repetição da crise de 2008 que esteve a ponto de fazer entrar em colapso o setor financeiro americano, insistindo em que não deve ser descartada. “Um caminho pelo qual a tormenta financeira na Europa pode afetar a economia dos Estados Unidos é debilitando a qualidade de seus ativos e a capitalização das instituições financeiras americanas”, disse Tarullo no Congresso semana passada.

Os bancos sofrem abalos que “os fazem recordar situações vividas durante a recente crise financeira global”, disse Tarullo. Então – ante as dúvidas sobre a situação dos balancetes dos concorrentes – começaram a fechar suas linhas de crédito.

Teme-se que os bancos deixem novamente de confiar, segundo Uri Dadush, ex-diretor de comércio internacional do Banco Mundial e agora pesquisador do centro Carnegie Endowment. “Embora a exposição dos bancos americanos seja relativamente limitada (…) o sistema bancaáio en Europa y Estados Unidos estão muito ligados e os bancos europeus estão muito expostos”, advertiu.

Estima-se que os 10 maiores bancos americanos detenham 60 bilhões de dólares em dívida dos países europeus “periféricos”, ou cerca de um décimo de seu capital principal.

Suas contrapartes bancárias da outra margem do Atlântico, particularmente na França e na Alemanha, têm exposição muito mais significativa.

A brecha entre os custos dos empréstimos interbancários na Europa e nos Estados Unidos se aprofundou nos últimos meses, o que os analistas interpretam como sinal de crescente desconfiança. “Maiores preocupações com a recuperação (dos empréstimos) e um risco de crédito da contraparte potencialmente elevado poderiam ser as principais causas” disso, segundo Geoffrey Yu do banco suíço UBS. “De qualquer forma, as preocupações dos investidores se estenderam além da zona do euro”, acrescentou.

O comércio também poderia ver-se afetado.

Ante os maus momentos do euro, as exportações americanas e asiáticas ficam mais caras para os europeus.

Cerca de um quarto das exportações manufatureiras americanas vão para a Europa. O setor emprega 11,6 milhões de pessoas.

Ironicamente, a queda na cotação da moeda única europeia, torna o velho continente mais competitivo, impulsiona suas exportações e abre uma porta de saída para a crise. “A desvalorização do euro pode ajudar” de uma certa forma, disse Dadush, “uma desvalorização de 20% do euro é importante, mas deve-se levar em conta que os benefícios da desvalorização serão distribuídos de maneira desigual”.

Mais além disso, uma crise que começou com manobras contábeis, agora se revela muito mais séria.

Fonte: Correio Braziliense